Primeiros indícios de trégua em Gaza não reduzem intensidade dos combates

Saud Abu Ramadán. Gaza, 14 jan (EFE).- O número de mortos palestinos na ofensiva israelense contra Gaza passou de mil, após ser anunciada no Cairo a predisposição do movimento islâmico Hamas de aceitar um cessar-fogo com Israel.

EFE |

Os primeiros indícios de uma trégua nas hostilidades não afetaram a intensidade dos combates, que persistiram ao longo do dia e causaram a morte de 28 palestinos e feriram mais de 80.

Com estas vítimas, disse o responsável do serviço de emergências em Gaza, Muawiya Hassanein, subiram para 1.012 os mortos - metade deles civis - e para 4.600 os feridos na ofensiva israelense, que começou no dia 27 de dezembro.

Pelo 19º dia seguido, as tropas israelenses travaram confrontos com as milícias palestinas, principalmente no norte e no leste da Faixa, deixando novamente múltiplas vítimas entre a população civil.

Entre os mortos há nove palestinos que faleceram ao leste da Cidade de Gaza e no campo de refugiados de Jabalia, no norte, em diferentes ataques aéreos e em confrontos armados.

Outros dois eram pedestres que foram atingidos pelo impacto de um projétil lançado pela Força Aérea israelense quando estavam em uma das principais ruas de Rafah, no sul de Gaza.

Além disso, três eram milicianos dos Comitês Populares de Resistência e do braço armado da Jihad islâmica, admitiram os grupos em comunicados.

Os aviões de guerra israelenses lançaram dezenas de bombas de fumaça no centro da Cidade de Gaza, que, devido às contínuas explosões, ficou coberta hoje por uma densa fumaça branca, segundo emissoras de rádio locais.

As cortinas de fumaça têm como objetivo dar cobertura tática às tropas de infantaria israelenses que estão desdobradas perto de núcleos urbanos e, nos últimos dias, foram lançadas contra as milícias palestinas para causar o maior número de baixas possível.

Com contadas exceções, o Exército israelense mantém as forças de infantaria e blindadas em um cerco em torno da capital de Gaza e de outros núcleos urbanos, mas não entrou na cidade.

Um porta-voz militar israelense confirmou à Agência Efe que a Força Aérea atacou mais de 110 alvos na Faixa desde a última madrugada e que, ao longo do dia, as milícias palestinas lançaram 15 foguetes contra Israel, cinco deles Grad, de até 40 quilômetros de alcance.

Caças-bombardeiros F-16 destruíram com mísseis o principal cemitério da Cidade de Gaza, situado no bairro de Sheik Raduan, disseram moradores.

"Os aviões de guerra israelenses não só atacam seres humanos, mas também destroem os túmulos dos mortos", disse junto ao cemitério Naeem Abu Shaban, um morador.

Vários túmulos ficaram totalmente destruídos, e, após o ataque, os moradores foram ao cemitério para recolher os ossos dos mortos, que foram novamente enterrados nas covas bombardeadas, acrescentou.

Outro habitante local que falou com a Efe contou que milicianos palestinos dispararam nos últimos dias foguetes contra localidades do sul de Israel a partir do interior do cemitério.

Na Cidade de Gaza, há três grandes cemitérios, um dos quais fica entre o leste e o norte da cidade, e foi tomado pelo Exército israelense na segunda parte da ofensiva de Israel, que começou em 3 de janeiro.

Os outros dois estão na Praça Palestina e em suas portas foram pendurados cartazes que anunciam: "Cemitério lotado".

Os moradores da Faixa dizem que não há local suficiente para enterrar os mortos na ofensiva israelense, pelo que muitos deles foram enterrados em túmulos nos quais anteriormente repousavam os restos mortais.

Após o anúncio feito hoje pelo Hamas de que aceitaria um cessar-fogo com Israel, a população de Gaza mantém a esperança de que o drama vivido nas últimas três semanas chegue ao fim.

"As pessoas estão contentes e a maioria reza para que tenha êxito e que a decisão do Hamas conduza à calma", disse à Efe Raed al-Atar, um comerciante de Gaza.

O grupo palestino anunciou no Cairo sua predisposição a um cessar-fogo com Israel, mas insistiu no cumprimento de suas condições para aceitar o acordo. EFE sar/db

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