Primeiros casos de cólera em Mianmar; cadáveres apodrecem nos rios

Yangun (Mianmar), 9 mai (EFE).- Um número indeterminado de pessoas já morreu por cólera nas zonas devastadas pelo ciclone Nargis em Mianmar, onde milhares de cadáveres continuam empilhados ou flutuam nas águas contaminadas após o desastre.

EFE |

Testemunhas no delta do rio Irrawaddy informaram hoje que foram registradas as primeiras vítimas por cólera nas regiões de Bogalay e Laputta, duas das mais devastadas pela tempestade que assolou no sábado passado o sul do país.

Os desabrigados estão há dias sem água potável e diante da forte sede, chegam a beber água de rios e lagoas onde apodrecem corpos de seres humanos e animais, sem importar com o risco de contrair doenças.

Enquanto a ajuda internacional chega a conta-gotas por conta dos impedimentos da Junta Militar, os sobreviventes não dispõem de suficientes remédios para fazer frente a possíveis epidemias de cólera, dengue, diarréia crônica ou malária, que têm seu foco de proliferação em águas paradas.

As doenças, a sede e a fome são agora as maiores ameaças para o milhão e meio de desabrigados, segundo os dados das Nações Unidas, enquanto os números oficiais apontam para 23.000 mortos e mais de 42.000 desaparecidos.

Por outra parte, as autoridades se vêem impotentes para recolher os milhares de cadáveres amontoados ou que flutuam na lama, inchados pelo calor e a umidade, alguns deles em avançado estado de decomposição.

Os residentes fazem turnos para cremar os corpos segundo o rito tradicional birmanês, mas são tantos, que a força-tarefa não chega a queimar nem 40 por cada dia.

No entanto, desde que ocorreu a tragédia, os meios de comunicação locais, todos controlados pelo Ministério de Informação e Apuração da Imprensa, segundo seu nome oficial, continuam ocultando da população a gravidade e a magnitude do desastre. EFE mfr/fb

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