Primeiro-ministro tailandês nega uso de força para dispersar manifestantes

Bangcoc, 28 ago (EFE).- O primeiro-ministro da Tailândia, Samak Sundaravej, descartou hoje o uso da força para dispersar os milhares de manifestantes antigovernamentais que há três dias controlam o palácio do Governo.

EFE |

Sundaravej, que havia ordenado à Polícia que retirasse os manifestantes do local antes da manhã de hoje, anunciou uma mudança de estratégia, e disse que deixará a Justiça resolver a situação.

Os manifestantes tentam forçar a queda do Governo.

"Emendei a ordem que dei anteriormente, portanto, não vamos dispersar os manifestantes", disse o primeiro-ministro à imprensa.

Um tribunal de Justiça de Bangcoc ditou, na quarta-feira passada, uma ordem de despejo da sede governamental, que foi desacatada pelos seguidores da Aliança do Povo para a Democracia, organização que se proclama defensora da monarquia.

"Peço aos líderes do protesto que se entreguem à Polícia, à qual atribuo esta tarefa sem dispersar a manifestação, mas isso não significa que vamos deixá-los lá para sempre", disse Sundaravej.

A mudança de estratégia motivou a Polícia a oferecer transporte gratuito aos manifestantes que quisessem abandonar o protesto e retornar a suas casas, e disponibilizou cerca de 100 ônibus, explicou o major-general Surapol Thuanthong.

Os manifestantes da Aliança tomaram a sede do Governo na terça-feira passada, poucas horas depois de algumas pessoas invadirem os estúdios do canal de televisão "NBT" e ocuparem parte de três ministérios em diferentes pontos da cidade.

A ocupação da sede governamental faz parte da campanha de protestos que a Aliança empreendeu em maio passado contra o Governo, ao qual acusa de corrupção e de ser uma cópia do de Thaksin Shinawatra, deposto em setembro de 2006 por um golpe de Estado realizado pelos militares.

Shinawatra, foragido desde que se exilou no Reino Unido em meados de agosto, afirma que os casos de corrupção dos quais é acusado fazem parte de uma conspiração política iniciada por pessoas ligadas aos militares que o depuseram.

Sundaravej destacou que a Polícia não abrirá passagem entre os manifestantes para deter os nove líderes da aliança sobre os quais pesa uma ordem de detenção por incitação à "rebelião".

Mesmo assim, dezenas de ativistas da organização liderada pelo ex-general do Exército e antigo governador de Bangcoc, Chamlong Srimuang, e o dono de vários jornais, Sonthi Limthongkul, formaram um cordão de segurança para proteger a Aliança. EFE grc/fh/gs

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