Primeiro-ministro japonês Yasuo Fukuda anuncia renúncia

O primeiro-ministro japonês, Yasuo Fukuda, anunciou nesta segunda-feira sua renúncia, depois de um ano complicado no poder, marcado por difíceis batalhas com a oposição que o impediram de levar avante as reformas prometidas.

AFP |

"Hoje decidi renunciar. Necessitamos de uma nova equipe para tratar com a nova legislatura", afirmou Fukuda.

Fukuda chegou ao poder em setembro de 2007 com 60% de popularidade, mas esta caiu rapidamente para menos de 30%.

Numa reação imediata, a oposição japonesa criticou Fukuda pela decisão e exigiu eleições antecipadas.

Naoto Kan, número dois do principal partido de oposição, o Partido Democrata (centro), disse que o próximo premier deve dissolver rapidamente a câmara de representantes e convocar eleições gerais antecipadas para que a população eleja uma nova câmara baixa.

Destacou ainda que Fukuda é o segundo primeiro-ministro do Japão que renuncia em dois anos sem que sejam organizadas eleições gerais.

Fukuda anunciou que seu sucessor será eleito numa votação dentro do Partido Liberal Democrata (PLD, direita, no poder).

A eleição designará o novo número um do PLD, que se converterá no primeiro-ministro, já que o partido contra com a maioria na Câmara dos Deputados.

As eleições gerais só serão realizadas em setembro de 2009.

O favorito para substituir Fukuda é Taro Aso, ex-ministro das Relações Exteriores conhecido por ser mais carismático e mais conservador que Fukuda, de 72 anos.

Fukuda indicou ter tomado sua decisão devido à tensa situação no Parlamento. O opositor Partido Democrata (centro) ganhou o controle do Senado no ano passado e combate ferozmente as políticas de Fukuda.

"O Partido Democrata tentou impedir cada projeto de lei e leva muito tempo para implementar qualquer política. Pelo bem do povo japonês, isso não deve se repetir", afirmou Fukuda.

O PLD de Fukuda está no poder desde sua criação, em 1955, com exceção de 10 meses. Fukuda não tinha que convocar eleições até setembro do ano que vem.

A oposição prometeu lutar pelo controle político na próxima eleição.

Fukuda assumiu o poder há quase um ano com a esperança de ressuscitar o LDP, mas enfrentou duras críticas por apresentar um plano de cobertura médica muito impopular e que eleva os custos para muitos idosos.

Na sexta-feira passada, o governo japonês anunciou um plano de reativação econômica de 11,7 trilhões de ienes (107 bilhões de dólares) para enfrentar os custos crescentes da energia e afastar o fantasma da recessão.

O plano inclui medidas de apoio aos consumidores, às empresas e aos agricultores para reduzir o impacto do alto custo dos combustíveis, assim como garantias para pequenas e médias empresas com dificuldades para obter créditos.

Os temores de recessão aumentaram no Japão após a divulgação este mês de uma contração do crescimento econômico de 0,6% no segundo trimestre do ano, em relação ao trimestre anterior.

As medidas vinculadas ao crédito e aos gastos estatais representam grande parte deste pacote. Além disso, o governo estudará cortes de impostos sobre a renda.

"Este pacote tem a finalidade de apoiar, de modo contínuo, a economia japonesa, assim como a qualidade de vida da população", disse o ministro da Economia, Kaoru Yosano, em entrevista à imprensa.

Este anúncio foi feito após a divulgação dos dados oficiais sobre a inflação, que subiu 2,4% em julho em relação ao mesmo mês de 2007, contra 1,9% no mês anterior, devido ao aumento dos preços da energia e das matérias-primas.

O Japão estava afundado em uma espiral deflacionária havia anos. O retorno da inflação despertou temores, porque é resultado somente do aumento dos custos de importação e não do vigor da economia doméstica.

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