Primeiro-ministro japonês reformula Gabinete para evitar recessão

Patricia Souza Tóquio, 1 ago (EFE).- O primeiro-ministro japonês, Yasuo Fukuda, mudou nesta sexta-feira a maioria de seus ministros, entre eles toda a cúpula econômica, a fim de tentar alavancar sua popularidade para enfrentar um ano eleitoral em tempos de crise.

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Após dez meses à frente do Executivo, este é o primeiro Gabinete nomeado por Fukuda, pois 15 dos 17 ministros que até agora dirigiam o Japão foram nomeados por seu antecessor, Shinzo Abe, que renunciou em setembro de 2007 no auge de escândalos de corrupção e de falta de liderança.

Fukuda, de 72 anos, remodelou hoje 13 ministérios, mas manteve os dois pesos-pesados do Executivo: O "número dois" Nobutaka Machimura, de 64 anos, como ministro porta-voz, e Masahiko Koumura, de 66 anos, como ministro de Exteriores.

As principais mudanças são relativas à cúpula econômica do Governo, liderada por dois veteranos do Partido Liberal-Democrata: Kaoru Yosano, de 70 anos, como titular de Política Fiscal, e Bunmei Ibuki, de 69 anos e até agora secretário-geral do PLD, no ministério de Finanças.

Também estréiam no cargo os titulares de outros ministérios ligados à economia, como Agricultura, Comércio, Infra-estruturas e Transporte e Serviços Financeiros.

Machimura, um dos políticos mais poderosos do PLD, disse hoje ao anunciar a lista de novos ministros que esses terão, como principal desafio, "revitalizar a economia".

A remodelação de hoje provocou a saída de um polêmico ministro, Kunio Hatoyama, que desde que assumiu o ministério da Justiça, há menos de um ano, assinou 13 execuções de presos, o maior número desde 1993.

Também saem duas mulheres que até agora faziam parte do Executivo, mas entram outras duas para ministérios menores, dedicadas a fazer frente à queda da taxa de natalidade e aos assuntos dos consumidores.

No total, Fukuda só mantém quatro ministros nomeados por Abe com o objetivo de passar uma imagem frescor ao Governo, apesar de muitos dos novos responsáveis já estarem em outras áreas e vários serem de sua geração - todos com aproximadamente 70 anos.

A crise de Governo acontece no Japão quando se teme pelo baixo crescimento da segunda economia do mundo, com alguns analistas falando abertamente da possibilidade de uma recessão, e tem o objetivo de revitalizar a liderança de Fukuda, cuja popularidade ronda os 25%.

Mais ainda: o objetivo é a própria sobrevivência política de Fukuda, um primeiro-ministro nomeado pelo Parlamento, mas não pelos eleitores, que terá de enfrentar o veredicto das urnas.

As eleições para a Câmara Baixa devem ser realizadas em setembro de 2009, mas, curiosamente, os dois últimos primeiros-ministros do Japão - Abe e Fukuda - foram designados pelo partido e referendados pelo Parlamento após a renúncia de Junichiro Koizumi, último chefe de Governo eleito nas urnas.

Desde que o carismático Koizumi arrasou na eleição de setembro de 2005, o PLD insiste em um poder que mantém há mais de meio século, mas nas eleições perdeu o controle da Câmara Alta, onde a oposição bloqueia há um ano qualquer iniciativa governamental que surge.

São constantes as especulações de que Fukuda deverá convocar eleições antecipadas para a Câmara Baixa, pressionado pelas dificuldades de governar sob pressão da oposição no Senado.

Nas eleições, o primeiro-ministro deseja melhorar a base eleitoral do PLD, e hoje nomeou uma nova direção.

O novo secretário-geral é seu ex-adversário na disputa pelo cargo de primeiro-ministro, Taro Aso, conhecido por sua popularidade entre os jovens japoneses devido ao seu apoio aos mangás (revista em quadrinhos típica do Japão) e que desfruta de mais carisma do que Fukuda. EFE psh/fh/db

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