Primeiro-ministro israelense Ehud Olmert abre mão do poder

Enfraquecido por um grave escândalo de corrupção, o primeiro-ministro israelense Ehud Olmert anunciou nesta quarta-feira que não se candidatará à direção do partido Kadima nas eleições marcadas apra meados de setembro.

AFP |

Esta decisão, anunciada durante um discurso transmitido ao vivo pela televisão, se traduz no fato de que Olmert abandonará o poder nos próximos meses uma vez tenha sido designado seu sucessor à frente Kadima.

Logo após sua renúncia, anunciada antes das primárias do Kadima, previstas para meados de setembro, o presidente Shimon Peres precisará designar um deputado para formar uma maioria parlamentar, que terá um prazo de 28 a 42 dias para compor um governo, eventualmente renovável.

Durante este período, Olmert dirigirá um governo de transição, segundo a legislação israelense.

"Decidi não me apresentar às primárias do Kadima. Não pretendo influenciar a votação, e aceitarei os resultados", declarou o primeiro-ministro.

"Depois da eleição do meu sucessor, renunciarei para permitir a formação rápida de um novo governo", acrescentou, afirmando que se retira do poder para se defender melhor das acusações de corrupção, mesmo se admitiu ter cometido "erros".

"Deixarei o cargo como se deve fazer, de forma honrada, justa e responsável. Provarei em seguida minha inocência", disse o chefe do governo israelense.

O Kadima marcou sua eleição para o dia 17 de setembro, segundo a imprensa israelense.

A ministra das Relações Exteriores, Tzipi Livni, é considerada favorita, antes de Shaul Mofaz, o ministro dos Transportes.

Dirigentes do Kadima vinham pedindo nos últimos dias a Olmert que não se candidatasse às primárias, para que sua impopularidade não provoque o fracasso eleitoral di parrtido.

Este anúncio põe um fim a várias semanas de brigas internas dentro do partido no poder, sobretudo entre Olmert e Livni.

Antes mesmo de vencer as primárias do Kadima, a chanceler já lançou um apelo à formação de um governo de união nacional.

O primeiro-ministro bateu recordes de impopularidade quando foi revelado um grave caso de transferências ilegais de fundos que teria lhe beneficiado diretamente.

A oposição israelense, comandada pelo ex-primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, e o líder do partido trabalhista e atual ministro da Defesa Ehud Barak defendiam a renúncia do premier.

Eleito para o cargo de primeiro-ministro em março de 2006, Ehud Olmert, 62 anos, é acusado pela justiça de ter recebido ilegalmente importantes quantias em dinheiro de um rico empresário americano, Morris Talansky.

Em maio, no tribunal, Talansky afirmou ter dado a Olmert mais de 100.000 dólares em dinheiro durante um período de 15 anos.

Olmert negou qualquer malversação, mas admitiu ter recebido fundos para financiar suas campanhas eleitorais, principalmente quando era candidato à prefeitura de Jerusalém, em 1999 e em 2003.

"As pessoas que me dão lições de moral hoje vão se arrepender amanhã", avisou Olmert na noite desta quarta-feira.

Reagindo ao anúncio do premier, os Estados Unidos afirmaram estar dispostos a trabalhar com qualquer novo governo israelense.

"Estamos ansiosos de trabalhar com todos os membros do governo israelense, qualquer que seja este", declarou o porta-voz do departamento de Estado, Sean McCormack.

bur/yw

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