Primeiro-ministro irlandês diz que Tratado de Lisboa não pode ser renegociado

Dublin, 10 jun (EFE).- O primeiro-ministro da República da Irlanda, Brian Cowen, advertiu hoje que o Tratado de Lisboa não poderá ser renegociado caso seja rejeitado pelo eleitorado no plebiscito realizado neste país na próxima quinta-feira, embora tenha ressaltado que confia em uma ampla vitória do sim.

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Segundo Cowen, o povo soube ver que as "táticas" empregadas pelos críticos do texto comunitário pretendiam criar "confusão" e que o avanço do "não" foi freado nos últimos dias.

O primeiro-ministro irlandês fez essas declarações durante a última entrevista coletiva que ofereceu seu partido, o Fianna Fain, antes do início do referendo de quinta-feira.

Na oposição, o Sinn Féin, único partido com representação parlamentar que se opõe ao tratado, voltou a dizer hoje que o documento pode ser renegociado e pediu ao Governo que volte a Bruxelas para obter um "acordo melhor" para a Irlanda.

O presidente do Sinn Féin, Gerry Adams, que está em campanha em Dublin, lembrou que sua experiência no processo de paz norte-irlandês mostrou a ele que "sempre há um Plano B".

Para Cowen, o problema é que o atual tratado já é o "Plan B", pois se trata do documento simplificado que substituiu o projeto de constituição rejeitado por Holanda e França em referendos em 2005.

"Minha mais profunda convicção é de que a ratificação do Tratado de Lisboa é crucial para o futuro deste país", disse primeiro-ministro.

Hoje, o líder da oposição, Enda Kenny, do Fine Gael, se expressou de forma parecida ao descrever o referendo de quinta-feira como "o momento da verdade para a (República da) Irlanda".

Grupos opositores como o Sinn Féin denunciam o que seria um desgaste do caráter democrático das instituições comunitárias e o avanço da UE como bloco exclusivamente econômico e militar, o que, para o partido, acabaria com a tradicional neutralidade irlandesa e seu estado de bem-estar. EFE ja/rr

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