Primeiro-ministro Hun Sen parte como favorito no Camboja

Jordi Calvet Phnom Penh, 26 jul (EFE).- O Camboja irá participar amanhã de eleições legislativas nas quais o primeiro-ministro, Hun Sen, do ex-comunista Partido do Povo do Camboja (PPC), parte como principal favorito após 23 anos no poder que serviram para enfraquecer a oposição.

EFE |

Todas as previsões indicam uma arrasadora vitória eleitoral de Hun Sen, do PPC, em um pleito no qual cerca de oito milhões de cambojanos vão eleger 123 deputados que representarão a sociedade na Assembléia Nacional ou no Parlamento.

Pela primeira vez desde o restabelecimento da democracia, em 1993, Hun Sen poderá, segundo as pesquisas de opinião, governar sozinho após empregar seu poder para consolidar o domínio em todas as províncias do país por meio de artimanhas legislativas e judiciais que quase aniquilaram a oposição.

Durante a última legislatura o PPC forçou a aprovação de uma emenda à Constituição que diminui para a metade mais um a maioria de dois terços que era necessária para formar o Governo. Desta forma evita formar coalizão como aconteceu após o pleito realizado em 1998 e em 2003, oportunidades nas quais se aliou ao movimento monárquico Frente de União Nacional para um Camboja Independente, Neutro, Pacífico e Cooperativo (Funcipec).

Além disso, segundo as organizações de defesa dos direitos humanos, as ameaças e a tática intimidadora empregada pelo PPC contra a oposição fomentaram a deserção entre as filas dos partidos rivais, a cujos destacados dirigentes ofereceu posteriormente cargos na Administração, tachada de corrupta e incompetente pelo povo cambojano.

O crescimento econômico superior a 10% que o país registrou nos últimos três anos, graças à indústria têxtil e ao turismo, permitiu que o PPC se apresentasse como fiador de uma estabilidade ansiada por um país vítima de um dos piores genocídios da história.

Isto aconteceu na ocupação pelo regime do Khmer Vermelho, momento no qual cerca de dois milhões de pessoas morreram em decorrência de fome, torturas e execuções. Agora, os principais responsáveis por estes abusos estão sendo julgados por um tribunal patrocinado pelas Nações Unidas (ONU).

A estabilidade também se reflete na política, embora esta tenha como preço o autoritarismo do Governo de Hun Sen, um ex-comandante do Khmer Vermelho que desertou para se unir às tropas vietnamitas que invadiram o Camboja em janeiro de 1979.

A própria campanha eleitoral, a menos violenta desde que foi instaurado um sistema político de natureza democrática no país, foi um exemplo desta estabilidade que é mantida com as forças de segurança cambojanas.

O conflito fronteiriço que o Camboja protagoniza desde maio passado com a Tailândia no templo de Preah Vihear, com tropas dos dois países presentes na região, contribuiu para aglutinar o apoio popular sem fissuras ao redor do primeiro-ministro.

Nem a corrupção que os cambojanos afirmam ser crescente em todos os estamentos do Governo, afetou a credibilidade de Hun Sen, apesar das esforçadas denúncias da oposição.

A inflação, que fez os preços dos alimentos subirem comprometendo a posição da crescente classe média do país, também não prejudicou a imagem de Hun Sen e do PPC.

A atenção da jornada eleitoral se concentrará na capital, Phnom Penh, a única circunscrição onde o PPC foi derrotado em 2003, pelo principal opositor, o Partido Sam Rainsy (PSR), liderado por Sam Rainsy, um antigo ex-ministro das Finanças e o maior crítico de Hun Sen.

A disputa também será intensa em Kompong Cham, a província mais povoada do país, e que elegeu os principais candidatos para conseguir uma de suas 18 cadeiras.

Este é o caso de Rainsy e de Kem Sokha, líder do Partido pelos Direitos Humanos, ou do presidente de honra do PPC, Heng Samrin, que tem como principal aval o fato de ter liderado a luta contra o Khmer Vermelho na província.

Cerca de 600 observadores internacionais se espalharão pelos 15.255 colégios eleitorais para supervisionar as eleições. EFE jcp/ab/fal

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