Primeiro-ministro grego pede união política contra manifestações

Por Daniel Flynn e Dina Kyriakidou ATENAS (Reuters) - O primeiro-ministro grego, Costas Karamanlis, pediu nesta terça-feira que os líderes políticos do país se unam para enfrentar os piores protestos em décadas e afirmou que os manifestantes que ameaçam derrubar seu governo não devem esperar leniência.

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Mas o líder da oposição socialista, George Papandreou, disse após reunião de emergência com Karamanlis que as pessoas perderam a confiança no governo depois de três dias de desordem no país, iniciados após o assassinato de um jovem pela polícia. Houve manifestações em Atenas, Tessalônica e várias outras cidades.

"O país não tem um governo para protegê-lo", disse Papandreou, cujo partido já estava com mais de cinco pontos percentuais de vantagem em pesquisas de opinião antes da revolta.

"Os cidadãos estão vivendo uma crise múltipla: uma crise social, uma crise de valores. As pessoas perderam a confiança no governo".

A polícia se preparou para mais protestos antes do funeral de Alexandros Grigoropoulos, o adolescente de 15 anos que foi morto. Estudantes convocaram uma manifestação no meio do dia para marcar sua morte, que engatilhou protestos contra escândalos de corrupção, o aumento da disparidade entre ricos e pobres e problemas econômicos.

Mais de 50 pessoas ficaram feridas e centenas de prédios, incluindo lojas e outros estabelecimentos, foram danificados ou incendiados.

"Não vamos mostrar nenhuma leniência", disse o premiê Karamanlis depois do encontro com o presidente Karolos Papoulias.

"Ninguém tem o direito de usar este acontecimento trágico como desculpa para atos de violência", acrescentou. "Neste momento crítico, o mundo político deve se unir para condenar os responsáveis por este desastre e isolá-los".

Na quarta-feira, a Grécia terá uma greve geral, apontada por analistas como mais um sinal de enfraquecimento do governo.

A imprensa grega destacou nesta terça-feira a impotência de Karamanlis diante dos protestos. "Chamas se alastram enquanto o governo assiste", disse o jornal Kathimerini. "À mercê da anarquia", foi a manchete do Eleftheros Typos.

Os economistas prevêem que o crescimento do país em 2009 ficará abaixo de 2 por cento, depois de uma média de 4 por cento na última década. O desemprego está em 7 por cento e subindo, e a inflação permanece teimosamente elevada.

(Reportagem adicional de Renee Maltezou, Deborah Kyvrikosaios, Lefteris Papadimas, Tatiana Fragou e Angeliki Koutantou)

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