Primeiro-ministro do Nepal renuncia ao cargo

O primeiro-ministro interino do Nepal, Girija Prasad Koirala, anunciou sua renúncia nesta quinta-feira. Anuncio nesta Casa que abandono o posto de primeiro-ministro, afirmou Koirala à Assembléia Constituinte do Nepal.

BBC Brasil |

Em seu anúncio de renúncia, o premiê nepalês pediu que os partidos do país "mantenham a cultura de consenso".

Koirala vinha enfrentando problemas para manter seu governo depois que os ministros do Partido Maoísta apresentaram suas renúncias na semana passada. Mas, segundo o correspondente da BBC no Nepal Charles Haviland, a renúncia não deve ser tão fácil para Koirala.

Segundo a atual Constituição do país, o primeiro-ministro não pode apresentar a renúncia à Assembléia Constituinte.

A renúncia só poderá ser apresentada ao novo chefe de Estado do país. E o Nepal, agora uma república, só terá um chefe de Estado quando a Assembléia escolher um presidente.

Maoístas
Correspondentes afirmam que a medida abre caminho para que o líder rebelde, Prachanda, líder do Partido Maoísta, ocupe o cargo de Koirala.

Os maoístas surgiram como o maior partido do país nas eleições de abril, para eleger a Assembléia Constituinte.

Em 2006 o partido assinou um acordo de paz que encerrou uma década de guerra civil na qual milhares de pessoas foram mortas.

'Inepto'
Koirala foi indicado para o cargo de primeiro-ministro em abril de 2006, quando o rei Gyanendra foi obrigado a abandonar monarquia absoluta depois de semanas de protestos nas ruas do Nepal.

Ainda naquele ano os rebeldes maoístas, que lutavam por uma república comunista, declararam o fim da insurgência. Eles se juntaram ao governo interino em 2007.

A monarquia foi finalmente abolida em maio de 2008.

Mas, o governo interino de Koirala enfrenta muitos problemas. Os maoístas acusavam o premiê de se agarrar ao cargo mesmo depois de seu partido, o Partido do Congresso, ter ficado em segundo nas eleições de abril. E acrescentam que o primeiro-ministro de 84 anos é "inepto para o cargo".

A instabilidade política do Nepal só piorou com as mudanças constitucionais feitas em dezembro, que não esclareciam como o poder seria dividido entre o presidente e o primeiro-ministro quando a Assembléia Constituinte aboliu a monarquia.

Nas últimas semanas finalmente foi decidido que a presidencia seria, em grande parte, um cargo cerimonial. Mas o presidente também seria o comandante do Exército.

Segundo analistas políticos, Koirala esperava se transformar no presidente, mas o maoístas foram contra.

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