Pequim, 5 mar (EFE).- O primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, disse hoje na abertura da Assembleia Nacional Popular (ANP) que o país deve acelerar a mudança do modelo de desenvolvimento impulsionando o consumo, a competitividade e inovação das empresas.

"Existem problemas agudos que precisam ser solucionados urgentemente", destacou, perante quase três mil representantes que escutaram seu discurso sobre o trabalho do Governo e as diretrizes a seguir.

"Embora seja esperado um aumento da recuperação mundial, os riscos financeiros não desapareceram, e os preços das matérias-primas e as taxas de câmbio estão sujeitos a maiores oscilações. Além disso, o protecionismo foi reavivado. Será um ano crucial", afirmou Wen.

O crescimento do PIB chinês, que em 2009 foi de 8,7%, será de 8% este ano, número mínimo para evitar que o desemprego urbano supere os 4,6% e aumente mais as diferenças entre ricos e pobres, podendo originar instabilidade social.

Wen destacou hoje que a China deve aproveitar este ano "crucial" para deixar de basear sua economia na exportação de manufaturas baratas.

"É preciso desenvolver indústrias como as novas energias, novos materiais, economia energética, biomedicina, redes informáticas e manufaturas, avançar no desenvolvimento de veículos de novas energias, integração das redes de telecomunicações, televisão por cabo e o uso da internet", acrescentou.

Para tudo isso haverá apoios fiscais às pequenas e médias empresas, especialmente para sua reconversão tecnológica, tanto pelo Governo central como pelos territoriais, reforçando o apoio com créditos, assinalou.

O primeiro-ministro também anunciou que será impulsionado o peso dos serviços na economia nacional, começando pelos orientados à produção, como financeiros, logísticos, informáticos, pesquisa e desenvolvimento, desenho industrial ou comerciais, sem esquecer os dirigidos ao bem-estar da população ou à promoção do turismo.

Para o desenvolvimento de diversas zonas do país, Wen destacou que seguirá encorajando a expansão do Ocidente, reforçando o nordeste e antigos centros industriais, apoiando a decolagem do centro e as províncias orientais em sua liderança de desenvolvimento.

Wen mencionou ainda a necessidade de estabelecer uma ordem de distribuição da riqueza aberta, transparente, justa e racional "que retifique com firmeza a tendência ao aumento da disparidade".

"Não só devemos engrandecer a 'torta' da riqueza social com desenvolvimento, mas dividi-la da forma correta, fortalecendo o papel da tributação", concluiu. EFE pc/fm

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