Primeiro-ministro de Israel diz apoiar Estado palestino desmilitarizado

Jerusalém - O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, impôs neste domingo como condição sine qua non para a paz com os palestinos que o território que abrigar o Estado destes seja desmilitarizado.

Redação com agências |

"Não podem nos exigir de antemão um Estado palestino sem que (a comunidade internacional) nos garanta antes que o território que ficar em mãos dos palestinos esteja desmilitarizado", disse Netanyahu num discurso na Universidade de Bar-Ilan, próxima a Tel Aviv.

Netanyahu se disse disposto a aceitar a criação de um Estado palestino desmilitarizado que reconheça Israel como Estado do povo judaico. "Se recebermos garantias sobre a desmilitarização e se os palestinos reconhecerem Israel como o Estado do povo judaico, então alcançaremos uma solução baseada em um Estado palestino desmilitarizado", declarou.

"A cada um a sua bandeira, a cada um o seu hino (...) O território concedido aos palestinos não terá Exército, não terá controle do espaço aéreo, não terá entrada de armas, nem a possibilidade de estabelecer alianças com o Irã ou com o Hezbollah", o movimento xiita libanês, acrescentou Netanyahu.

Desde que assumiu no fim de março, Netanyahu, chefe da coalizão de direita, vem resistindo aos apelos do presidente dos EUA, Barack Obama, e outros para aceitar que a saída nas negociações de paz seria a criação de um "Estado" palestino ao lado de Israel.

Ameaça iraniana

Um Irã dotado da bomba atômica seria a maior ameaça para Israel e para o mundo, assegurou Benjamin Netanyahu. "A maior ameaça para Israel, para o Oriente Médio e para o mundo inteiro, é o encontro entre a arma nuclear e o Islã radical."

"Vou trabalhar particularmente nas minhas próximas viagens por uma coalizão internacional contra o armamento nuclear do Irã", acrescentou Netanyahu, no dia seguinte ao anúncio de reeleição do presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, inimigo declarado de Israel.

Israel, assim como o restante das potências ocidentais, suspeita que Teerã deseje produzir um arsenal nuclear sob o pretexto de desenvolver um programa civil, algo que Teerã desmente.

Netanyahu considerou que o programa nuclear iraniano é uma "ameaça existencial" e Israel se negou até agora a renunciar oficialmente à opção militar contra a República Islâmica.

O Irã lembra com frequência que Israel é a única potência nuclear da região.

ANP condena

A Autoridade Nacional Palestina (ANP) condenou neste domingo o discurso do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e rejeitou todas as condições que colocou para solucionar o conflito do Oriente Médio.

"Não estamos surpresos com o que disse, mas ao mesmo tempo condenamos todas suas declarações", disse o negociador-chefe da ANP, Saeb Erekat.

Segundo o negociador, Netanyahu não reconheceu o problema dos refugiados, nem a solução de dois Estados para dois povos, e "se limitou a pôr condições impossíveis aos palestinos".

"Todas essas condições prévias são inaceitáveis para nós", assegurou Erekat, para quem o primeiro-ministro israelense "não tratou com profundidade nenhuma as questões do estatuto final" que é preciso ser negociado.

Erekat respondeu a Netanyahu minutos depois de o premiê terminar um discurso em que condicionou qualquer solução ao conflito ao "reconhecimento de Israel como lar nacional judeu" e à "desmilitarização" do futuro Estado palestino.

Já Rafik al-Husseini, chefe de gabinete do presidente da ANP, Mahmoud Abbas, assegurou que "com o discurso Netanyahu declarou guerra aos palestinos e ao mundo inteiro".

"O que fez é negar todos os princípios que a comunidade internacional considera básicos para conseguir uma solução pacífica entre israelenses e palestinos", comentou.

(Com informações das agências AFP e EFE)

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