Publicidade
Publicidade - Super banner
Mundo
enhanced by Google
 

Primeiro-ministro da Tailândia expõe programa de Governo apesar de protestos

Bangcoc, 30 dez (EFE).- Os detratores do novo Governo da Tailândia cercaram hoje, pelo segundo dia consecutivo, o Parlamento, e obrigaram o primeiro-ministro Abhisit Vejjajiva a buscar outro lugar para expor o seu programa político.

EFE |

Vejjajiva, líder do Partido Democrata e eleito primeiro-ministro há duas semanas pelo Parlamento, teve que pronunciar seu discurso de quase duas horas de duração em um salão do Ministério de Assuntos Exteriores, para desta forma poder começar a administrar o país de forma oficial, como estabelece a Constituição.

Na parte de fora do prédio do Ministério, que fica próximo ao Parlamento, cerca de 2 mil manifestantes da chamada Aliança Democrática contra a Ditadura continuaram exigindo a dissolução do Legislativo e a realização de eleições antecipadas, enquanto eram vigiados por centenas de membros das forças de segurança.

Os manifestantes, conhecidos como "camisas vermelhas" pelas cores das roupas que usam, são partidários do ex-premier Thaksin Shinawatra, deposto pelos militares no golpe de Estado de setembro de 2006 e foragido da Justiça tailandesa desde que foi condenado a dois anos de prisão pelo crime de abuso de poder.

Em seu discurso, Vejjajiva, de 44 anos e jurista formado na Universidade de Oxford, se comprometeu a trabalhar para acabar com a brecha política que mantém a Tailândia imersa em uma profunda crise que já atingiu quatro chefes de Governo em um ano.

"O Governo assume o controle dos assuntos quando existe um conflito que enfraquece o país", disse o primeiro-ministro durante o discurso que foi transmitido pela emissora estatal.

A chegada ao Governo de Vejjajiva - o líder do partido mais antigo do país - pôs, aparentemente, fim a seis meses de contínuos protestos nas ruas da Aliança do Povo para a Democracia, entidade que organizou manifestações em dois aeroportos no final de novembro.

A ocupação dos terminais aeroportuários por oito dias causou a queda do turismo, uma das principais fontes de receita do país, com o que piorou a já maltratada economia quando notava os efeitos da diminuição das exportações e da recessão mundial.

"Os conflitos políticos que se expandiram pela sociedade civil podem fazer com que a economia, e também o turismo, entrem em recessão se não forem adotadas rapidamente ações para readquirir a confiança dos investidores e turistas estrangeiros", declarou o novo primeiro-ministro tailandês.

A Tailândia continua fortemente dividida entre os partidários do ex-líder Shinawatra e dos partidários de outro setor do poder do qual fazem parte oficiais do Exército, burocratas, e tailandeses ligados à nobreza.

No começo da manhã, representantes do Executivo retomaram as negociações com os líderes do protesto com a finalidade de conseguirem fazer que os manifestantes abram um corredor que permita o acesso dos deputados ao Parlamento.

"O Governo tentou expor seu discurso político, mas como os manifestantes o impediram se decidiu que seja no Ministério, o que é legal segundo confirmou o Parlamento", declarou à imprensa o ministro da Informação, Satit Wongnongtaey.

No entanto, o chefe da oposição, Witthaya Buranasiri, disse que os deputados dos partidos opositores ao Governo consideram a opção de boicotar o debate parlamentar, já que a mudança de local "é uma ingerência da Administração nos assuntos da Legislatura".

Os partidários de Shinawatra afirmam que o Governo do atual primeiro-ministro carece de legitimidade por ter chegado ao poder após a inabilitação de seu antecessor, Somchai Wongsawat.

A inabilitação de Wongsawat e a dissolução do Partido do Poder do Povo levaram ao fim das manifestações dos partidários da Aliança Popular para a Democracia, cujo objetivo era expulsar do Governo os seguidores de Shinawatra, exilado em Dubai.

A chegada ao poder de Vejjajiva, terceiro primeiro-ministro tailandês em menos de quatro meses, foi vista por muitos analistas como a esperança de acabar com meses de crise política, que começou em maio passado.

Vejjajiva foi eleito chefe de Governo em 15 de dezembro e recebeu apoio do influente Prem Tinsulanonda, primeiro conselheiro do rei Bhumibol Adulyadej. EFE tai/fal

Leia tudo sobre: iG

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG