O primeiro-ministro da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Salam Fayyad, afirmou em uma entrevista publicada nesta sexta-feira pelo jornal israelense Haaretz que haverá um Estado palestino junto ao de Israel em 2011.

"O nascimento de um Estado palestino será comemorado como um dia de regozijo por toda a comunidade de nações", declarou Fayyad, de 58 anos.

"Chegará o momento em que esse bebê nascerá. E calculamos que será em 2011. Essa é a nossa visão e reflexo de nossa vontade de pôr em prática o direito de viver em liberdade e dignidade em um país onde nascemos, junto ao Estado de Israel em completa harmonia", previu o primeiro-ministro palestino.

Fayyad, cujo governo controla a Cisjordânia, pois a Faixa de Gaza é dominada desde junho de 2007 pelo movimento islamita Hamas, espera que os israelenses também participem das celebrações do estabelecimento do futuro Estado palestino.

O primeiro-ministro da ANP deu as boas-vindas à recente decisão do Quarteto para o Oriente Médio (Estados Unidos, União Europeia, ONU e Rússia) de apoiar um plano promovido por ele em agosto do ano passado que tem como principal objetivo a criação do Estado palestino em 24 meses.

Segundo Fayyad, os palestinos desejam um Estado independente e soberano e descartou "um Estado de retalhos".

O primeiro-ministro e seus assessores na Organização para a Libertação da Palestina (OLP) querem que o futuro Estado seja criado durante o mandato do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

"Se por alguma razão ou outra, em agosto de 2011, o plano fracassar, acho que teremos acumulado crédito na forma de atos positivos no terreno. A realidade se imporá ao processo político para que se produzam resultados", sustentou.

Fayyad diz que em dois anos a sociedade palestina terá alcançado "grau de maturidade" que lhe permitirá "iniciar um processo de transformação de um conceito em uma possibilidade, em uma realidade".

Para Fayyad, o primeiro-ministro israelense, Benyamin Netanyahu, sucumbiu aos colonos judeus, que, segundo o palestino, não refletem a visão da maioria dos israelenses.

O primeiro-ministro da ANP reconhece, no entanto, que 250 mil colonos que residem nos territórios ocupados exercem uma grande pressão sobre o governo israelense.

Fayyad também afirmou que a espinhosa questão de Jerusalém não deve ser deixada para um estágio final em eventuais negociações de paz, mas "deve ser tratada desde o princípio".

"Vemos isso de forma política. Politicamente, sentimos o direito de ter um estado da Palestina na terra que foi ocupada em 1967, incluindo Jerusalém Oriental", argumentou.

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