NOVA DÉLI - O primeiro-ministro da Índia disse que a prática de abortar fetos femininos é uma vergonha nacional, dizendo que a o país não pode mais ignorar o problema se quiser se tornar uma nação moderna.

Os especialistas acreditam que cerca de 500.000 fetos femininos sejam abortados todos os anos por causa da discriminação contra as mulheres e da grande preferência cultural por um filho homem.

"Isso é uma vergonha nacional e precisamos enfrentar esse problema agora", disse o primeiro-ministro Manmohan Singh na abertura da conferência "Save the Girl Child" ("Salve Essa Menina", em tradução livre).

"Nenhuma nação, nenhuma sociedade, nenhuma comunidade pode se dizer parte do mundo civilizado se aceita uma prática discriminatória contra metade da população representada pelas  mulheres", disse Singh.

Abortar meninas é a pior manifestação de discriminação, ele disse.

De acordo com a Unicef, cerca de 7000 meninas deixam de nascer todos os dias na Índia - levando a uma diferença maior entre a quantidade de homens e mulheres no país. Em uma área há apenas 798 garotas para cada mil garotos, disse Singh.

O problema piorou com o surgimento da tecnologia ultrasom que permite que os pais identifiquem o sexo do bebê e abortem quando for uma menina. Esses testes são proibidos na Índia desde 1991, mas as regras são quebradas com facilidade.

Singh afirmou que irá trabalhar para reforçar as leis, mas a luta contra discriminação precisa começar nos lares indianos.

"Eu não digo isso como primeiro-ministro da Índia. Eu digo isso como orgulhoso pai de três meninas. Eu desejo à todas as meninas desse país o mesmo que desejo às minhas filhas", ele disse.

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