Primeiro vice-presidente iraniano cede à pressão e renuncia

A pedido do Guia Supremo, Ali Khamenei, o primeiro vice-presidente iraniano, Esfandiar Rahim Mashaie, renunciou ao cargo neste sábado, cedendo às pressões dos conservadores e infligindo ao presidente Mahmud Ahmadinejad seu primeiro revés desde a polêmica eleição de 12 de junho.

AFP |

A renúncia de Mashaie, nomeado há apenas oito dias, constitui uma vitória para os conservadores, que sempre criticaram a designação do homem que afirmou em julho de 2008 que o Irã era "o amigo do povo americano e do povo israelense", contrariando a retórica tradicional do regime.

"Obedecendo às ordens do Guia Supremo, já não me considero mais o primeiro vice-presidente, mas continuarei servindo nosso povo da forma que puder", declarou Mashaie.

O Guia Supremo ordenara a demissão do primeiro vice-presidente, que ocupava no governo anterior o cargo de vice-presidente encarergado do Turismo.

"A designação de Esfandiar Rahim Mashaie para o cargo de adjunto do presidente vai contra seus interesses e os do governo e provocará a divisão e a frustração de seus partidários", avisara Khamenei, em carta enviada a Ahmadinejad.

"É preciso anular esta nomeação", insistira o Guia Supremo nesta missiva.

Anunciada em 17 de julho, a designação de Mashaie foi imediatamente criticada pelos mesmos conservadores que prestaram um apoio incondicional a Ahmadinejad após sua polêmica reeleição, em 12 de junho.

Na crise mais grave da história da República Islâmica, pelo menos 20 pessoas morreram em violentas manifestações organizadas pela oposição, que denunciou fraudes na eleição presidencial.

"Apoiamos o presidente, mas nunca dissemos que ele é infalível", declarou sexta-feira durante a oração semanal o religioso ultraconservador Ahmad Khatami ao pedir o afastamento de Mashaie, cuja filha é casada com o filho de Ahmadinejad.

Para o jornal reformista Aftab-e-Yazd, a polêmica em volta desta designação tem como principal objetivo desviar a atenção do povo da crise eleitoral.

Para acalmar os ânimos, Khamenei lançou neste sábado um apelo à unidade, pedindo a todas as partes que deixem de lado suas divergências e trabalhem juntas para fazer avançar o país.

"Todos deveriam trabalhar de forma fraterna para fazer avançar a nação. Ninguém deveria lançar acusações sem fundamento. Deveríamos nos tratar uns aos outros de forma honesta. Deveríamos deixar de lado nossas divergências", afirmou.

Em resposta, os líderes da oposição iraniana pediram aos dignitários religiosos que ponham fim à "repressão" conduzida pelas autoridades desde as manifestações consecutivas à contestada eleição presidencial.

"Esperamos que vocês, os mais altos dignitários religiosos, lembrem às autoridades as consequências nocivas do desrespeito da lei, e impeçam elas de seguir adiante com a repressão na República Islâmica", diz um comunicado assinado pelos ex-candidatos à eleição presidencial Mir Hossein Moussavi e Mehdi Karubi e pelo ex-presidente reformista Mohammad Khatami.

fpn/yw

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