Primeiro presidente eleito da Mauritânia é detido durante golpe de Estado

O chefe de Estado da Mauritânia, Sidi Ould Cheikh Abdallahi, primeiro presidente democraticamente eleito do país, foi detido nesta quarta-feira em Nouakchott como parte de um golpe de Estado orquestrado pelo chefe da guarda presidencial que tinha acabado de ser demitido.

AFP |

O fato acontece 15 meses após a eleição do presidente, num pleito considerado um "modelo democrático" pela África e o mundo árabe, e três anos depois do golpe de Estado militar que destituiu o presidente Maaouiya Ould Taya em agosto de 2005.

O general Ould Abdel Aziz, chefe do Estado-maior particular do presidente e comandante da guarda presidencial, que o presidente havia demitido de suas funções pela manhã, surgiu rapidamente como o líder do putsch.

Pouco depois das 09H00 (local e GMT) em Nouakchott, "membros da guarda presidencial detiveram o presidente em sua casa, e o primeiro-ministro Yahya Ould Ahmed Waghf em seu escritório", indicou à AFP o porta-voz presidencial Abdoulaye Mahmadou Ba.

"Isto aconteceu sem violência porque eram elementos golpistas que garantiam a segurança do presidente", destacou.

O presidente havia assinado nesta quarta-feira pela manhã um decreto nomeando novos oficiais para os comandos da guarda presidencial, do Estado-maior e da guarda nacional. "Três generais se recusaram a obedecer à ordem e entraram em rebelião", comentou o porta-voz.

Os golpistas organizaram em seguida um "conselho de Estado", dirigido pelo general Ould Abdel Aziz.

O aeroporto internacional de Nouakchott foi fechado, mas as fronteiras não, segundo uma fonte da segurança.

A situação parecia relativamente calma na capital.

À tarde, a polícia dispersou com gás lacrimogêneo um grupo de 50 pessoas reunidas perto do mercado municipal.

Ao meio-dia desta quarta-feira, a rádio do Estado divulgou, entre cantos populares, o primeiro comunicado do "conselho de Estado", lido pelo ministro da Comunicação e indicou que o decreto presidencial das novas nomeações era "nulo e sem efeito".

Em 15 meses, o presidente vinha perdendo apoio dentro do exército e no Parlamento.

A União africana (UA), os Estados Unidos e a ONU condenaram o "golpe de Estado" exigindo o restabelecimento da legalidade constitucional no país.

A Comissão Européia também "condenou com firmeza esta ação militar" e desejou que o presidente e o primeiro-ministro recuperem rapidamente sua liberdade e suas funções.

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