Primeiro cavaleiro negro do Brasil em Olimpíada chora por não poder competir

Rogério Clementino, o primeiro cavaleiro negro classificado para competir em uma prova Olímpica de hipismo pelo Brasil, disse que ainda não parou de chorar desde que viu seu sonho de participar dos Jogos acabar às vésperas da competição. O cavalo Nilo, que seria montado por Clementino na prova de adestramento, foi desclassificado na segunda-feira, por apresentar um trote irregular.

BBC Brasil |

Com isso, Clementino ficará de fora das provas de adestramento, cuja final será na próxima semana.

"Ainda não parei de chorar até agora", disse ele em entrevista à BBC Brasil nesta terça-feira.

"É um choque muito grande ficar assim de fora das Olimpíadas na véspera", lamenta Clementino.

Impossibilitado de montar, Clementino acabou não conseguindo entrar para a história como o primeiro cavaleiro negro do Brasil a competir em uma Olimpíada.

Origem humilde

A equipe brasileira discordou da decisão dos juízes sobre o cavalo Nilo e acredita que o animal tinha condições de competir.

Em comunicado à imprensa, o veterinário Thomas Wolff afirmou que "a decisão surpreendeu não apenas a nós brasileiros, mas também a outras delegações".

"Ninguém esperava que o Nilo fosse reprovado, mas os juízes alegaram que ele apresentou uma andadura irregular. Infelizmente a decisão deles é definitiva", escreveu Wolff.

Sem ressentimento dos juizes, Clementino se conforma: "esse tipo de julgamento acontece. É do esporte. Não acho que teve preconceito".

Clementino conquistou a medalha de bronze por adestramento em equipe nos Jogos Pan-Americanos do Rio em 2007 e era a esperança brasileira ao lado dos companheiros de equipe Luiza Almeida e Leandro Aparecido.

O atleta de origem humilde também é admirado pelos fãs pela sua difícil história neste esporte, considerado de elite.

Ex-peão de rodeio, Clementino não vem de uma família rica como no caso dos outros atletas.

Ele trabalha como professor de equitação no haras do empresário Victor Oliva em Araiçoaba da Serra, no interior de São Paulo, e se desdobra para treinar nas horas livres entre as aulas.

Otimismo

Mas apesar de abalado por ter a participação nestes jogos frustrada, Clementino demonstra forte determinação e otimismo para o futuro.

"De uma derrota (como essa) nasce uma grande vitória. Deus sabe o que faz e eu tenho fé. Se não era para ser dessa vez, paciência", disse.

"Não dá para ficar se lamentando, o negócio é erguer a cabeça e trabalhar. Aproveitar a oportunidade de estar aqui para observar e aprender com os feras do esporte e melhorar daqui pra frente", se motiva.

Clementino só pensa em treinar e preparar mais cavalos para ter uma estrutura melhor nos Jogos de Londres em 2012.

"Vou voltar ao Brasil e já pôr em prática uma tática para conquistar as próximas medalhas no Pan e nas Olimpíadas", promete.

O atleta conta que falou por telefone com a esposa, que está dando "muito apoio" e "orando muito" por ele.

Ele ressalta também o apoio recebido de seus colegas de equipe - a quem chama de "companheirões".

Para fomentar as esperanças na longa campanha olímpica que ainda tem pela frente até 2012, Clementino disse se inspirar no jogador de futebol Ronaldo Fenômeno.

"Ele teve o problema no joelho e deu a volta por cima na Copa do Mundo quando ninguém acreditava nele. Isso é que é exemplo de superação", diz..

"Creio muito em Deus. O sonho Olímpico não acabou. Isso aqui é apenas o começo", afirma com convicção.

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