Primeiro avião dos EUA com ajuda humanitária chega a Mianmar

Fernando Mullor-Grifol Bangcoc, 12 mai (EFE).- O primeiro avião dos Estados Unidos com ajuda humanitária chegou hoje a Mianmar (antiga Birmânia), país no qual a Junta Militar admitiu que muitas áreas continuam isoladas mesmo 10 dias após a passagem do ciclone Nargis.

EFE |

O avião Hércules C-130, da força aérea americana, foi recebido pela representante dos EUA em Yangun, Shari Villarosa, e por alguns ministros e outras autoridades birmanesas, que se encarregarão de distribuir a ajuda.

A carga, que contém grande quantidade de água, mosquiteiros, cobertores, madeira e outros artigos necessários para as áreas devastadas, foi colocada em caminhões militares birmaneses.

"Todos estamos otimistas de que este C-130 será o primeiro de muitos. Oferecemos nossa ajuda incondicional", declarou à imprensa o embaixador americano na Tailândia, Eric John, no aeroporto do Exército tailandês de Utapao, a sudeste de Bangcoc.

O vôo não levou as equipes de assistência em desastres, pois as autoridades birmanesas se negaram a conceder vistos de entrada no país.

O embaixador americano disse que o avião de hoje e outros dois que chegarão a Mianmar amanhã são "uma pequena cura para uma ferida muito grande", e pediu ao regime birmanês que abra suas fronteiras para ajuda internacional.

"Deixe-os entrar. Deixe-os salvar vidas", declarou John.

Um avião fretado pela ONG Médicos sem Fronteiras (MSF), o primeiro enviado pela entidade, aterrissou hoje no aeroporto de Yangun com 34 toneladas de material médico e logístico.

Outros três vôos da MSF devem descarregar cerca 120 toneladas de ajuda entre hoje e amanhã.

A Junta Militar birmanesa aceitou a solidariedade internacional, porém não permitiu a entrada de voluntários estrangeiros.

"A ajuda de qualquer nação será aceita e a distribuição pode ser administrada pelas autoridades locais", disse na semana passada o ministro do Desenvolvimento Econômico birmanês, Soe Tha, conforme publica hoje o diário estatal "The New Light of Mianmar".

Entre os dias 4 e 11 de maio, as agências ligadas à ONU e algumas ONGs solicitaram 54 vistos de entrada em Mianmar e apenas quatro foram concedidos.

O Programa Mundial de Alimentos (PMA), que se encarrega da parte logística das operações da ONU, conseguiu chegar a um entendimento com o Governo birmanês para distribuir ajuda.

Outras organizações, como a Save the Children UK e a Mercy Malaysia, chegaram a soluções temporárias para seus problemas ao assinarem ontem acordos em que se comprometem a contratarem birmaneses para ajudá-los.

Ambas as ONGs vão proporcionar assistência médica básica aos sobreviventes através de equipes terrestres e com a transformação de um navio de cruzeiro em hospital, com o qual poderão chegar a áreas mais vulneráveis, como Ngapudaw, Haing Gyi e Labutta.

Além dos vôos levando ajuda, foi aberta neste fim de semana uma rota por uma estrada com ligação com a Tailândia e autoridades birmanesas repararam o porto de Yangun para que possa receber navios estrangeiros.

O navio de assalto anfíbio americano Essex, escoltado pelos barcos Juneau e Harpers Ferry, já navegavam para a região, assim como um navio francês de 1.500 toneladas com equipamentos médicos e helicópteros, que saiu da Índia na semana passada.

O Escritório de Cooperação de Assistência Humanitária da ONU calcula que o número de vítimas pode chegar a 102 mil e que o número de desaparecidos passa de 220 mil pessoas.

Números oficiais divulgados pelo Governo birmanês afirmam que o ciclone "Nargis" deixou 28.458 e 33.416 desaparecidos.

Mais de 500 mil crianças estão sem ir à escola devido à destruição de cerca de três mil colégios de educação primária.

Além disso, sofrem com a falta de alimentos e água e a população de Mianmar começa a enfrentar doenças como a cólera e a diarréia.

EFE fmg/rr/fal

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