Primeiro avião americano de ajuda chega a Mianmar, que permanece isolado

Várias regiões de Mianmar seguem isoladas do mundo, dez dias depois da passagem do ciclone Nargis, admitiu a junta militar que governa o país e deseja controlar totalmente a distribuição de ajuda humanitária, no dia em que o primeiro avião americano pousou em Yangun.

AFP |

Um avião militar C-130 americano, com ajuda para os desabrigados, pousou nesta segunda-feira. Este foi o primeiro vôo de ajuda dos Estados Unidos que a junta militar birmanesa autorizou a entrar no país.

O ritmo da ajuda de emergência internacional para os dois milhões de desabrigados se acelerou desde domingo, mas continua sendo muito inferior às gigantescas necessidades da vítimas.

O balanço oficial provisório é de pelo menos 62.000 mortos e desaparecidos, mas diplomatas ocidentais citam mais de 100.000 mortos.

Diante do tamanho da tragédia, o ministro birmanês do Planejamento Nacional e Desenvolvimento Econômico, Soe Tha, afirmou que o governo já chegou à maior parte das regiões arrasadas pelo Nargis, segundo o jornal oficial New Light of Myanmar.

Porém, outras áreas do país prosseguem isoladas do mundo.

"Ainda restam zonas às quais as autoridades envolvidas não conseguem chegar. O material de socorro foi lançado com pára-quedas nas áreas inundadas onde os helicópteros não podem pousar", disse Soe Tha.

O ministro agradeceu às Nações Unidas e a todos os países pelas grandes doações para os desabrigados, mas reiterou que o governo birmanês controlará a distribuição da ajuda internacional.

"Aceitamos as ajudas de todos os países, mas a distribuição pode ser administrda por organizações locais", acrescentou.

A ajuda humanitária continua chegando a conta-gotas porque o regime militar birmanês, conhecido por sua paranóia e obcecado pela defesa de sua soberania, permanece muito reticente à possibilidade das operações de socorro serem dirigidas por estrangeiros.

A ONU, que ainda aguarda 24 vistos para que seus funcionários estrangeiros possam entrar em Mianmar, pediu agilidade ao governo birmanês para ajudar a salvar as vidas dos desabrigados.

A Cruz Vermelha anunciou que nove aviões da instituição com ajuda humanitária conseguiram entrar em território birmanês.

A ONG Médicos Sem Fronteiras também conseguiu pousar seu primeiro avião em Mianmar nesta segunda-feira.

O avião dos Estados Unidos, um dos países mais críticos em relação à junta birmanesa, transportou mais de 12 toneladas de material humanitário, principalmente material para purificação da água, mosquiteiros e cobertores para as vítimas.

O pouso ao avião americano é um grande acontecimento, já que há mais de uma década Mianmar é alvo de sanções de Washington e da União Européia.

Apesar da catástrofe devastadora, o governo birmanês garante que os eleitores compareceram em massa às urnas no sábado para votar no referendo sobre uma nova Constituição.

A votação, a primeira em Mianmar desde 1990, pretende, segundo a junta, abrir o caminho para "eleições plurais" em 2010. No entanto, a oposição birmanesa, liderada pela prêmio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, pediu o voto pelo "não" por considerar que o novo texto constitucional reforça a supremacia do Exército.

hla-nr/fp

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