Primeiro atentado no Paquistão após Mumbai mata pelo menos 20

Islamabad, 5 dez (EFE).- No primeiro atentado sofrido pelo Paquistão após os ataques terroristas na cidade indiana de Mumbai, pelo menos 20 pessoas morreram e 80 ficaram feridas hoje pela explosão de um carro-bomba próximo a uma mesquita xiita em Peshawar, no norte do Paquistão, segundo uma fonte policial citada pela emissora Geo O hospital Lady, que confirmou que 16 dos cadáveres chegaram ao centro médico, ficou sobrecarregado pela quantidade de vítimas que precisa atender.

EFE |

A explosão, que causou destroços em comércios próximos e incêndios em algumas casas, ocorreu no bairro de Kucha Risaldar.

Após a explosão, a área sofreu um blecaute, o qual dificultou os trabalhos de resgate e a chegada das ambulâncias.

O inspetor geral de Polícia da Província da Fronteira do Noroeste (NWFP) - cuja capital é Peshawar - Malik Navid Khan, declarou à TV que a bomba tinha entre 20 e 25 quilos de explosivos.

O mesmo policial, desta vez citado pela emissora "Dawn", descartou que se tratasse de um ataque suicida e explicou que a potente explosão formou uma grande cratera no local.

A área foi isolada pelas forças de segurança, enquanto as autoridades declararam emergência nos hospitais da região.

Tanto o presidente do Paquistão, Asif Alí Zardari, como o primeiro-ministro, Yousef Razá Guilani, já condenaram o ataque, segundo a agência estatal "APP".

Em Peshawar, que durante as últimas semanas está sofrendo um alarmante aumento da violência, ocorreram diversos atentados contra mesquitas ou bairros onde predomina população muçulmana xiita.

A violência sectária também é freqüente na região tribal de Orakzai, não muito longe de Peshawar, onde hoje seis pessoas morreram e outras cinco ficaram feridas em um ataque suicida.

Um funcionário público confirmou à "APP" a morte de seis membros de uma tribo em Orakzai, a única das chamadas "agências tribais" que não faz fronteira com o Afeganistão.

Esta demarcação não acostuma a ser palco de combates entre terroristas e forças de segurança paquistanesas, mas se vê castigada freqüentemente por conflitos sectários, ligados à forte presença xiita em seu território.

O atentado em Peshawar, capital de uma província onde talibãs paquistaneses causam estragos, é o primeiro no Paquistão depois dos ataques terroristas de Mumbai, que custaram a vida de 188 pessoas.

Nova Délhi insiste que os terroristas são paquistaneses e afirma que o grupo Lashkar-e-Toiba (LeT), que luta pela anexação da Caxemira indiana ao Paquistão, é o responsável dos ataques.

Além disso, ontem numerosos meios de comunicação indianos divulgaram investigações dos serviços de inteligência, segundo os quais a Índia tem provas de envolvimento dos serviços secretos paquistaneses (ISI) no planejamento do ataque terrorista ao seu "coração financeiro".

As fontes acusam de estar por trás dos ataques ao grupo Jamaat-ud-Dawa, sob o qual supostamente se esconde o proscrito LeT, e "se recusam a crer" que o Exército paquistanês não tivesse conhecimento do plano dos terroristas.

No meio da escalada de tensão entre ambas as potências nucleares, Islamabad reiterou que está comprometida em sua luta contra o terrorismo e que atuará contra qualquer "elemento" paquistanês que se demonstre culpado dos ataques de Mumbai, apesar de que em seu próprio território tem muitas dificuldades para frear os atentados e o terrorismo islâmico.

Hoje mesmo, o chefe do ISI, Ahmed Shuja Pasha, reuniu-se antes do atentado com Guilani para analisar a situação da segurança na região, segundo um comunicado do escritório do primeiro-ministro, que não deu mais detalhes. EFE igb-amp/jp

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