Primeiras-damas da A. Latina alertam sobre incidência de HIV entre mulheres

México, 2 ago (EFE).- A Coalizão de Primeiras-Damas e Mulheres Líderes da América Latina sobre Mulher e Aids se defendeu hoje das críticas sobre o trabalho realizado na luta contra a epidemia do HIV na região, e pediu que o aumento da feminização da doença, que já atinge meio milhão de latino-americanas, seja contido.

EFE |

A primeira-dama de Honduras, Xiomara Castro de Zelaya, fundadora e presidente da coalizão, assegurou que essa organização tem "adquirido um lugar no debate internacional" sobre a Aids e os esforços para "aumentar a visibilidade do problema do HIV" na região.

A coalizão realizou hoje sua quinta reunião desde sua criação em 2006 sob o lema "Detendo a feminização da epidemia", um dia antes do início na capital mexicana da 17ª Conferência Mundial da Aids (Aids 2008).

A primeira-dama hondurenha argumentou que "a epidemia não perde tempo" e avança enquanto alguns dizem que os recursos são gastos em reuniões nas quais só se toma café e se conversa sobre assuntos aleatórios.

Por esta razão, pediu que seus críticos "deixem seus trabalhos em escrivaninhas e comecem a ser ativos" e "falem com o povo".

"Não nos peçam que demonstremos o que os especialistas devem fazer, nós não precisamos de estudos sofisticados para reafirmar o que os olhos podem ver e os ouvidos podem escutar", apontou a hondurenha, ao contradizer as vozes que criticam a falta de profissionalismo da coalizão.

Para a primeira-dama hondurenha, as integrantes da coalizão devem continuar fortalecendo sua presença nas mesas de diálogo mais importantes do mundo, conseguir recursos para combater a epidemia e contribuir "com um mundo livre do HIV, de estigmas e discriminação".

Já a primeira-dama do México, Margarita Zavala, destacou a urgência de "tornar visível o impacto do HIV nas mulheres", ao apontar que atualmente o número de infectadas continua aumentando.

A esse respeito, assegurou que das 33 milhões de pessoas infectadas com o vírus no mundo, 16 milhões são mulheres.

O desconhecimento da feminização da Aids faz com "que nós mesmas nos vejamos com pouco risco", o que gera um "menor acesso a testes de diagnóstico" com antecedência e faz com que "as mulheres grávidas transmitam sua doença aos filhos" por falta de informação, explicou.

Ela comentou que muitas mulheres na região não tomam decisões sobre sua saúde reprodutiva, por isso que é importante "a sensibilização e o envolvimento dos homens na estratégia da prevenção", assim como atacar "frontalmente" a violência doméstica e sexual contra elas e a discriminação.

A primeira-dama mexicana declarou que lutar contra a feminização da aids na América Latina envolve combater o tráfico de pessoas e os vícios, que aumentam "em números alarmantes" entre as mulheres.

Segundo ela, educação sexual e igualdade de oportunidades são outros fatores que devem ser assegurados na América Latina, uma região que compartilha padrões de conduta como o machismo e violência familiar.

Já a subsecretária de Inovação e Qualidade da Secretaria de Saúde do México, Maki Esther Ortiz, disse que na América Latina vivem 500 mil mulheres com HIV, um terço do 1,8 milhão de casos registrados.

Ortiz detalhou que no México, 48 mil dos 198 mil infectados são mulheres, número que reflete a "tendência de feminização na região".

A especialista revelou que no México 49,3% dos casos de Aids entre mulheres representam donas de casa, 4,8% desempregadas, 1,7% estudantes e 1,4% prostitutas.

Ortiz advertiu que a migração é um fator de risco para a expansão da pandemia, já que por volta de 2,5 milhões de pessoas emigram por ano da América Latina para os Estados Unidos, sendo 25% delas mulheres.

No caminho em direção aos EUA, as mulheres "enfrentam situações de violência e abuso de autoridades, traficantes e assaltantes, outras se vêem a beira da prostituição, outras trocam relações sexuais para aumentar probabilidade de sucesso em seu trajeto".

Também participaram do encontro a esposa do presidente colombiano, Lina María Moreno de Uribe, a primeira-dama do Suriname, Liesbeth Venetiaan, e personalidades como a cantora Annie Lennox.

EFE jd/bm/rr

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