Por Yuri Kulikov KIEV (Reuters) - A crise política na Ucrânia aprofundou-se na quarta-feira quando a premiê Yulia Tymoshenko, ameaçou romper sua aliança com o presidente Viktor Yushchenko, acusando-o de minar o governo dela.

Os dois aliados da revolução 'Laranja', responsável por colocar Yushchenko no poder, desentendem-se desde que Tymoshenko se tornou primeira-ministra pela segunda vez, em dezembro passado.

Mas os conflitos ganharam uma nova dimensão na terça-feira, quando simpatizantes da dirigente obrigaram Yushchenko a desistir de seu tradicional discurso anual no Parlamento. Essa foi a segunda vez que o presidente tentou, sem sucesso, realizar o pronunciamento neste ano.

A economia do país, que enfrenta uma taxa de inflação cada vez maior e uma queda nos índices de crescimento, transformou-se em um dos terrenos de batalha entre Yushchenko, ex-presidente do banco central do país, e Tymoshenko, uma ex-empresária do setor de gás hoje defensora de causas sociais.

'Se a situação não melhorar no país, a primeira-ministra não poderá ser aliada e parceira do presidente', afirmou Tymoshenko em um comunicado.

'Humilhar seu próprio país e praticamente destruir na economia tudo o que estamos criando --isso não é uma forma adequada de lutar pela próxima eleição presidencial', disse a primeira-ministra.

O governo, empossado em dezembro, foi acusado por instituições financeiras e analistas de realizar gastos 'populistas' supostamente responsáveis por fazer com que a inflação anual chegasse a um recorde de 30 por cento em abril.

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