Juan Palop. Nusa Dua (Indonésia), 26 fev (EFE).- A primeira reunião internacional sobre Meio Ambiente após a conferência de Copenhague acabou hoje com uma chamada geral pelo recomeço das negociações com o objetivo de alcançar um acordo na cúpula de dezembro no México.

Mais de cem países destacaram no Fórum Ministerial Global sobre Meio Ambiente realizado nesta semana na turística ilha de Bali, na Indonésia, a necessidade de avançar de forma essencial durante os próximos meses para garantir o êxito da Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP-16), que ocorrerá em Cancún (México).

"Todos sentimos a urgência de realizar progressos nas conversas sobre mudança climática", destacou o ministro de Assuntos Exteriores indonésio, Marty Natalegawa, em entrevista coletiva após uma reunião ministerial informal sobre aquecimento global.

Para dar um novo "impulso" às negociações, as delegações participantes sublinharam a necessidade de estabelecer um sistema de conversas entre países "mais inclusivo, transparente e aberto", dentro das Nações Unidas, para que não se repita Copenhague.

Na capital dinamarquesa, os Estados Unidos, a China e mais um grupo de nações pactuaram o acordo de Copenhague a portas fechadas.

De forma paralela, as delegações participantes apostaram por realizar "ações rápidas" que impulsionem o processo de negociações.

Entre estas iniciativas está incluída a implementação dos sistemas de financiamento propostos até o momento em nível internacional, como os créditos REDD de conservação florestal e as ajudas de arranque rápido e o Fundo Verde anunciados em Copenhague.

Neste sentido, destacou a posição do México, anfitrião da próxima conferência e responsável por coordenar as conversas preparatórias, de concentrar os esforços na busca pelo entendimento que leve ao diálogo partido do Acordo de Copenhague, informaram à Agência Efe.

O secretário do Meio Ambiente mexicano, Juan Rafael Elvira Quesada, ressaltou que neste momento "não interessa" fixar se o acordo será vinculativo ou não, mas dotá-lo de um conteúdo concreto que consiga atrair o maior número possível de países.

Outros atores em Bali, como a União Europeia, insistiram em perseguir "um instrumento global legalmente vinculativo" dentro do marco das Nações Unidas.

Para conseguir o êxito da conferência de Cancun, Quesada defendeu o relançamento do processo de negociação de curto prazo, recuperar o impulso perdido em Copenhague e reativar o diálogo entre as partes no caminho em direção ao COP-16.

"México não quer gerar grandes expectativas, mas alcançar grandes metas. Apesar das dificuldades, o México está decidido a forjar algo grandioso", afirmou o ministro mexicano.

Neste sentido, Quesada ressaltou que seu país vai ao Fórum Ministerial Global sem um Mapa do Caminho preconcebido, mas disposto a "escutar" e a "anotar as sugestões".

Afirmou que o México vai dar um "atendimento especial" aos países em vias de desenvolvimento, especialmente aos latinos-americanos, sem descuidar de seu "papel crucial", como a "ponte entre o Norte e o Sul".

Por sua vez, o secretário-executivo da Convenção Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática, Yvo de Boer, classificou Cancún como uma "grande oportunidade" e defendeu por alcançar um acordo global que "faça a diferença".

"Tenho expectativas ambiciosas, mas realistas para a Conferência do México", afirmou de Boer, quem sairá do cargo em meados deste ano.

A maioria dos participantes do Fórum Ministerial Global sobre Meio Ambiente concordaram em assinalar que o Acordo de Copenhague foi um passo na direção certa, mas insuficiente.

A reunião de Bali acabou com a Declaração de Nusa Dua sobre o Meio Ambiente, que ressalta a importância de preservar a biodiversidade e a necessidade de adotar uma "economia verde" baixa em carbono que freie a mudança climática. EFE jpm/dm

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.