Primeira colisão entre dois satélites, em espaço saturado de objetos

A colisão entre um satélite militar russo e um comercial americano na terça-feira foi um acontecimento insólito, afirma um especialista francês em assuntos espaciais, explicando que os cerca de 2.200 satélites abandonados ao redor da Terra são monitorados continuamente, o que, a princípio, deveria evitar este tipo de acidente.

AFP |

"É a primeira vez que dois satélites intactos colidem", disse Philippe Goudy, diretor adjunto do Centro Espacial de Toulouse, ligado ao Centro Nacional de Estudos Espaciais (CNES), a agência espacial francesa.

"No passado, já houve casos de colisões, mas foram com o que chamamos de resíduo, ou seja, um pedaço de algum satélite desativado, ou um fragmento de algum foguete", indicou Goudy.

O satélite militar russo, inativo desde 1995, não é considerado um resíduo, já que estava inteiro e pesava 900 quilos.

Ao todo, 12.000 objetos de tamanho superior a 10 centímetros são acompanhados por radares americanos, e estão devidamente listados e descritos em um catálogo.

"O exército americano e a Nasa têm radares que permitem seguir os satélites e os resíduos mais volumosos, superiores a 10 centímetros", o que permite alertar outras agências espaciais em caso de rotas de colisão para evitar choques entre resíduos e satélites.

Goudy atribui o acidente de terça-feira a uma provável "falha de monitoramento".

"Os operadores estão apenas começando a se dar conta da gravidade do problema dos escombros, e ainda que os dados americanos sejam acessíveis, nem todos colocaram medidas semelhantes em prática".

Além os 2.200 satélites abandonados e dos 12.000 objetos de mais de 10 centímetros em órbita, cerca de 200.000 resduos de 1 a 10 céntímetros gravitam em torno da Terra, ameaçando os 600 satélites atualmente ativos.

Os principais países com programas espaciais elaboraram um código de conduta para limitar a criação de novos resíduos.

Os satélites em órbita baixa (até 1.000 quilômetros de altura) que são desativados devem ser tirados de órbita - ou seja, desacelerados para descer até a atmosfera, onde são queimados.

O satélite russo não foi tirado de órbita, talvez por ser velho demais para fazer a manobra, talvez devido a alguma avaria que cortou sua comunicação com o centro de comando, que teria então ficado sem controle sobre ele.

Em qualquer das hipóteses, o acidente de terça-feira "vai gerar uma série de novos escombros", alerta Goudy. Além disso, a órbita onde aconteceu a colisão, a 790 quilômetros de altura, está saturada, pois é a faixa onde operam os satélites de observação e meteorológicos.

O acidente entre os satélites russo e americano "demonstra por quê seria muito interessante para a Europa ter seu próprio sistema de vigilância, a partir de radares instalados em terra", destaca Jocelyne Landeau, porta-voz do ESOC, o centro operacional da Agência Espacial Européia (ESA), referindo-se a um projeto discutido na última reunião ministerial da ESA, em novembro do ano passado.

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