Macarena Vidal Washington, 22 abr (EFE).- Os pré-candidados democratas à Presidência dos Estados Unidos, Hillary Clinton e Barack Obama, se enfrentam hoje nas primárias da Pensilvânia, fundamentais para a senadora por Nova York se fortalecer na campanha.

A votação nos 1.100 colégios eleitorais da Pensilvânia, abertos desde as 7h (8h30 de Brasília), transcorre normalmente.

"Está sendo uma avalanche", declarou David Lipson, fiscal democrata no distrito de Upper Merion Township, ao jornal "Philadelphia Inquirer".

As seções eleitorais devem fechar às 20h (21h de Brasília). O vencedor da primária levará para a convenção democrata, que acontecerá em Denver, no mês de agosto, o apoio de 158 delegados.

A favorita nas pesquisas é Hillary Clinton, que há seis semanas tinha 20 pontos sobre seu oponente, mas que, nos últimos dias viu essa vantagem cair para entre cinco e dez pontos.

Hillary, que está atrás de Obama no número total de votos e delegados conquistados nas prévias anteriores, precisa de um triunfo contundente na Pensilvânia para manter viva sua campanha.

Uma vitória de mais de dez pontos diferença lhe daria um grande impulso para as nove primárias restantes e, com ele, a possibilidade de convencer os superdelegados que ela é a candidata com mais chances de derrotar o candidato republicano, John McCain, nas eleições de novembro.

Já um resultado apertado ou uma derrota inesperada imposta por Obama deixaria o senador por Illinois em ótima posição nas próximas primárias e faria aumentar os pedidos para que Hillary desista da candidatura.

Em declarações ao programa "Today" da rede "NBC", a ex-primeira-dama afirmou que dará continuidade à sua campanha aconteça o que acontecer na Pensilvânia. Além disso, frisou que uma vitória sempre é importante, seja de qual for a margem.

"Não me parece que a margem seja importante. O que importa é que ainda restam muitos pleitos. Esta é uma corrida muito apertada e não são só os números que contam", declarou.

Por sua vez, Obama admitiu que dificilmente conseguirá uma vitória surpresa neste estado, com uma representativa população trabalhadora e de classe média baixa, que tradicionalmente apóia Hillary.

À rede "CBS", o senador por Illinois delcarou: "Diminuímos a vantagem (de Hillary), mas nossa opinião sempre foi a de que aqui não somos os favoritos. Acho que ela é a grande favorita".

A senadora deve acompanhar a votação na Pensilvânia, enquanto Obama o fará em Indiana, onde os dois pré-candidatos voltarão a se enfrentar em 6 de maio.

Mas, embora a demografia na Pensilvânia não favoreça o senador negro, Obama tem uma ou duas cartas sob a manga.

Para começar, desde janeiro, cerca de 200.000 novos democratas se registraram para votar, e se acredita que a maioria deles prefere Obama. Caso participem das primárias em aberto, eles poderão desempenhar um papel importante no resultado final de um pleito.

E Obama, que pode se tornar o primeiro presidente negro dos EUA e que ontem ganhou um novo apoio, o do cineasta Michael Moore, tem um grande caixa de campanha.

No começo de abril, a conta bancária de seu escritório tinha cerca de US$ 42 milhões para utilizar em anúncios e comícios, enquanto Hillary estava no vermelho, com uma dívida de US$ 10,3 milhões e um fundo de US$ 9 milhões.

Com o orçamento folgado, Obama pôde gastar o dobro que sua adversária em anúncios, embora em estados como os do Texas e de Ohio a propaganda eleitoral não tenha surtido efeito.

Ontem, os dois pré-candidatos iniciaram uma nova batalha na área midiática. O escritório de campanha de Hillary usou uma imagem de Osama bin Laden para ressaltar a capacidade de liderança da senadora e apontar - sem citar nomes - a fraqueza de seus oponentes.

Por sua vez, Obama lançou um anúncio em que acusa a ex-primeira-dama de recorrer à "política do medo". EFE mv/sc

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