Bangcoc, 29 jul (EFE).- A Junta Militar de Mianmar advertiu hoje que as previsões sobre a decisão no julgamento da líder opositora birmanesa Aung San Suu Kyi, prevista para sair na sexta-feira, serão considerados um crime de desacato ao tribunal.

Os militares fizeram esse anúncio através de um editorial publicado no jornal oficial "New Light of Mianmar", que o regime usa para divulgar suas mensagens e onde deixou claro que todos os suspeitos serão levados à Justiça se desafiarem a proibição.

O advogado de Suu Kyi, Nyan Win, afirmou que atitudes como esta mostram que a Junta Militar quer pressionar o juiz para que mantenha a Nobel da Paz privada de liberdade.

Após a notícia ontem de que a decisão será anunciada na próxima sexta-feira, Win admitiu que é pouco otimista sobre as possibilidades de que a ativista seja declarada inocente, e esta compartilha a opinião.

Suu Kyi está sendo julgada por ter violado as condições da prisão domiciliar que cumpria desde 2003, ao ter hospedado em sua casa o americano John Yettaw.

Se for considerada culpada, ela pode ser condenada a até cinco anos de prisão.

A defesa argumenta que Suu Kyi é inocente, já que não convidou Yettaw a ficar, e afirma que a lei que ela teria violado ao permitir que ele se hospedasse com ela não está mais em vigor, mas a promotoria insiste em sua versão de que a opositora não deveria ter aberto as portas para o americano.

Desde que começou, em 18 de junho, o processo foi condenado por Governos de todo o mundo, que denunciam que a Junta Militar está usando a Justiça para apagar Suu Kyi das eleições que o regime planeja realizar em 2010.

Essas eleições são consideradas uma farsa pelo movimento democrático birmanês, que sustenta que os generais manipularão os resultados para se perpetuar no poder.

Mianmar é uma ferrenha ditadura militar desde 1962 e não realiza eleições desde 1990, quando a Liga Nacional pela Democracia (LND), liderada por Suu Kyi, obteve uma arrasadora vitória nas urnas, o que nunca foi aceito pelos militares. EFE tai/an

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