Juan Palop. Jacarta, 25 dez (EFE).- A catástrofe causada pelo tsumani de 2004, que amanhã completa cinco anos e surpreendeu 12 de países do Oceano Índico, causou mais de 226 mil mortes e mostrou que a prevenção é hoje a única defesa contra a força da natureza.

Não é por acaso que os especialistas não descartam que sob a crosta do Oceano Índico ocorra outro potente terremoto capaz de gerar um tsunami com uma dimensão similar. Temendo isso, os organismos internacionais focam na prevenção e na conscientização das comunidades mais expostas a tais fenômenos.

"O problema não é o tamanho do tsunami, é a grande densidade populacional, são as áreas de risco", destacou Kerry Sieh,diretor do observatório de Cingapura.

A comunidade internacional respondeu à catástrofe de 26 de dezembro de 2004 com uma maciça mobilização de recursos que permitiu o restabelecimento dos serviços básicos e o atendimento às vítimas.

Depois, chegou a fase de recuperação das regiões atingidas, que melhoraram a ponto de, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), a situação atual ter ficado melhor que a de antes do tsunami.

Assim como a Federação Internacional da Cruz Vermelha, outras organizações internacionais acham que a prevenção é fundamental para proteger a região de outro cataclismo.

"Fazer esta mensagem chegar às comunidades rurais, às pessoas que têm de se protegidas de alguma maneira (de um desastre natural), continua sendo um desafio", disse recentemente o ator de origem cubana Al Panico, chefe da Unidade de Tsunami da Federação da Cruz Vermelha.

Segundo o artista, este aspecto, que ficou distante da etapa de reconstrução de casas, infraestruturas e serviços nos países desabrigados, é "o que realmente vai salvar vidas a longo prazo".

Os analistas acham que poderiam ter sido evitadas dezenas de milhares de mortes se o alerta tivesse sido dado com meia hora de antecedência e se as povoados litorâneos tivessem sido informados sobre as diferentes formas de atuar para se proteger da investida do tsunami.

Al Panico cobrou a correção destas anomalias com a conscientização e um maior compromisso internacional "em termos de financiamento.

No mês de setembro, um terremoto de 7,6 graus na escala Richter sacudiu a região ocidental da ilha indonésia de Sumatra, e, embora o Centro de Alertas de Tsunami do Pacífico tenha emitido um aviso de perigo, o mecanismo indonésio permaneceu mudo.

Esta falha evidenciou para os analistas a pouca confiabilidade do sistema de alarme rápido montado na Indonésia depois que aproximadamente 170.000 pessoas perderam a vida na província de Aceh por causa do tsunami de cinco anos atrás.

Países como Índia, Indonésia e Tailândia, uns dos mais afetados afetados em 2004, criaram suas próprias agências de gestão de catástrofes e observatórios de alerta. Ainda assim, para a Federação Internacional da Cruz Vermelha, para ser eficaz é preciso que os Governos da região redobrem seus esforços em prevenção e conscientização.

Ao todo, 18 países banhados pelo Oceano Índico fizeram, em outubro, uma simulação organizada pelas Nações Unidas do sistema de alerta de tsunami que os Governos dos países da região criaram após a catástrofe.

Na criação do sistema de alarme de tsunami, que consta de boias marinhas com sensores que detectam a formação de ondas e sirenes no litoral, foram investidos US$ 150 milhões, de acordo com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

O teste do sistema de alarme aconteceu duas semanas depois que um tsunami causou cerca de duas centenas de mortes nas ilhas Samoa e em Tonga, no Oceano Pacífico, que dispõe de seu próprio sistema de alarme desde 1965. EFE jpm/sc

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