Préval aceita moção de censura do Senado ao primeiro-ministro

Porto Príncipe, 12 abr (EFE).- O presidente haitiano, Réne Préval, aceitou a moção de censura aprovada hoje pelo Senado contra o primeiro-ministro Jacques Edouard Alexis, depois do fracasso do governante em busca de uma solução para a crise no país, por causa do alto custo de vida.

EFE |

A Constituição haitiana obriga o primeiro-ministro a renunciar se uma das duas câmaras do Parlamento (de deputados e senadores) retira seu apoio ao chefe de Governo.

"Agora é minha vez, vou procurar outro chefe de Governo", disse o presidente aos jornalistas, no final de uma entrevista coletiva.

No entanto, Préval qualificou de "injusta" a censura a Alexis, mas também disse que fará o que é estabelecido pela Constituição.

Levando em conta que nenhum partido tem maioria parlamentar, Préval disse que pedirá "imediatamente" aos presidentes das duas câmaras legislativas para nomear um primeiro-ministro de consenso.

Segundo a Constituição haitiana, a pessoa designada para ocupar o cargo de primeiro-ministro deverá se apresentar separadamente às duas câmaras, para uma primeira ratificação.

Depois desta primeira etapa, o primeiro-ministro nomeado terá que formar seu Governo em uma reunião com o presidente.

O último passo é comparecer com sua equipe governamental no Parlamento para apresentar seu plano de política geral e buscar um voto de confiança dos legisladores.

Na entrevista coletiva, Préval - acompanhado de importadores e representantes dos camponeses -, ressaltou que, para ele, "o mais importante é a estabilidade política", a fim de poder desenvolver políticas econômicas e sociais.

O presidente haitiano anunciou também uma redução de US$ 8 no preço do saco de arroz importado, que custa US$ 43, e medidas para fomentar a produção local.

Destes US$ 8, os importadores "perderão" US$ 3 e o Governo custeará US$ 5, a partir de um fundo de ajuda internacional.

Esta medida durará um mês e abrangerá 30 mil toneladas de arroz importado disponíveis atualmente no mercado nacional, segundo um dos importadores, que qualificou a medida como "um gesto patriótico".

Os importadores pediram aos distribuidores que aceitem a medida para combater o alto custo deste produto.

"Os distribuidores são os que podem decidir quando e a que preço o arroz vai chegar ao consumidor final", disse o presidente haitiano.

Além disso, o líder prometeu buscar com os bancos privados a possibilidade de garantir a compra antecipada de arroz no mercado internacional para 2 ou 3 meses, a fim de evitar uma oscilação rápida dos preços no mercado nacional.

Paralelamente, disse que desenvolverá ações estruturais para fortalecer a produção de arroz no Haiti e articular os mecanismos necessários entre produtores e comerciantes de arroz, para garantir a distribuição e a venda do produto haitiano.

Sobre a possibilidade de a proposta não encontrar o apoio da comunidade internacional, Préval disse que o importante é "valorizar a produção agrícola nacional". EFE gp/bf/an

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