Macarena Vidal. Washington, 19 set (EFE).- A grave crise financeira que atinge os mercados mundiais obrigou os candidatos à Presidência dos Estados Unidos, o democrata Barack Obama e o republicano John McCain, a se focarem em apresentar soluções, para o que ambos foram hoje atrás de especialistas.

Obama, senador por Illinois e que se recuperou nas pesquisas devido à crise, se reuniu hoje em Miami com seus assessores econômicos para abordar os detalhes de seu plano para derrubá-la.

Ao término do encontro, o candidato democrata disse em entrevista coletiva que é a favor da concessão de "amplos poderes" ao Departamento do Tesouro e que "está claro que são necessárias medidas ainda mais ousadas e decisivas" para fazer frente à situação.

Obama afirmou ainda que, paralela a "uma dura supervisão e regulação das instituições financeiras", seu plano, de caráter temporário, incluirá ajuda às famílias e aos trabalhadores que no momento sofrem as conseqüências da turbulência econômica.

Durante a entrevista, o presidenciável acrescentou que não permitirá compensações a diretores financeiros que tenham cometido erros graves.

"Temos que nos certificar de que o dinheiro do contribuinte não acabará usado para indenizar decisões equivocadas", declarou.

Por sua vez, o republicano John McCain, que hoje estava em campanha em Green Bay, no Wisconsin, dedicou um discurso inteiro à situação, no qual atacou o Governo atual e disse que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) deve deixar de ir ao resgate das instituições financeiras com problemas.

"O Federal Reserve deveria voltar a se concentrar em sua missão principal de administrar nosso fluxo monetário e a inflação", declarou.

O candidato se referiu à decisão do Fed tomada esta semana de intervir no grupo AIG, a maior seguradora do país, para evitar que sua quebra comprometesse todo o sistema financeiro.

Cerca de uma semana antes, o órgão já havia saído em socorro das hipotecárias Freddie Mac e Fannie Mae.

No discurso, o republicano voltou a cobrar a renúncia do presidente da Securities and Exchange Commission (SEC, a comissão de valores mobiliários dos EUA), Christopher Cox, e defendeu um dólar forte, que, segundo disse, "reduzirá os preços da energia e dos alimentos, estimulará um crescimento econômico sustentado e alavancará de novo a economia".

McCain, que se apresenta como um inconformista dentro de seu próprio partido e que até agora dizia que o Governo deveria intervir o mínimo possível nos mercados, propôs a criação de um fundo que ajude os órgãos reguladores e o setor privado a fortalecer as entidades com problemas antes da quebra destas.

Nesta sexta-feira, o site de análise política "RealClearPolitics.com", que faz uma média das principais pesquisas eleitorais, dava a Obama 47,3% das intenções de voto, o que o deixava com 1,9 ponto de vantagem sobre McCain (45,4%).

Para se fortalecer junto ao eleitorado feminino, do qual estava se distanciando, Obama tirou o dia para participar de uma série de atos eleitorais na Flórida.

Por sua vez, a campanha republicana, com o intuito de impedir que o democrata dispare ainda mais nas pesquisas, apresentou um anúncio no qual acusa o senador por Illinois de não querer se pronunciar sobre a intervenção na AIG. EFE mv/sc

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