Pressionado, presidente afegão ordena revisão de lei xiita

ESTRASBURGO (Reuters) - O presidente afegão, Hamid Karzai, ordenou a revisão de uma nova lei para a minoria xiita do país, depois que nações ocidentais demonstraram preocupação com seu impacto nos direitos das mulheres, disseram autoridades ocidentais neste sábado. O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, disse ter manifestado uma grande preocupação com a Lei do Estatuto Pessoal Xiita em um telefonema a Karzai neste sábado e ter exigido garantias de que a nova lei não irá infringir os direitos das mulheres.

Reuters |

Brown falou durante a cúpula da Otan, na qual a Grã-Bretanha e outros países concordaram em enviar mais tropas ao Afeganistão para reforçar a segurança durante as eleições presidenciais de agosto.

Segundo uma autoridade britânica, Karzai disse a Brown ter solicitado ao Ministério da Justiça que analise cada aspecto da lei, consulte a comunidade xiita e se necessário devolva ao parlamento uma versão revisada.

Os muçulmanos xiitas representam cerca de 15 por cento da população afegã, majoritariamente sunita.

Os EUA, a Otan, o Canadá e a ONU se pronunciaram contra a lei, dizendo que ela legaliza o estupro marital.

Karzai declarou neste sábado que tais críticas se baseiam em uma tradução errada ou interpretação equivocada da lei, que ainda não entrou em vigência.

Ele disse que uma cópia da lei que consultou não justifica as críticas e temores dos apoiadores ocidentais do Afeganistão.

O secretário-geral da Otan, Jaap de Hoop Scheffer, disse à BBC na sexta-feira que a lei pode tornar mais difícil para os estados-membros enviar mais tropas para enfrentar a insurgência do Taleban no país.

"Estamos lá para defender valores universais, e quando vejo uma lei que fundamentalmente viola direitos humanos e das mulheres prestes a ser aprovada, isso me preocupa", disse ele.

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