Pressionado, premiê britânico tenta se distanciar de Murdoch

No Parlamento, Cameron pede que News International desista de comprar operadora de TV a cabo e se concentre em consertar erros

iG São Paulo |

O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, David Cameron, fez um apelo para que o magnata australiano Rupert Murdoch, dono da News Corporation , desista de finalizar a compra da operadora de TV a cabo BSkyB . A declaração foi feita no Parlamento britânico, durante uma sessão em que Cameron foi pressionado por parlamentares da oposição e buscou se distanciar da empresa de Murdoch, envolvida em um escândalo de escutas ilegais .

Cameron afirmou que a News International, subsidiária britânica da News Corp., precisa de uma mudança profunda e deve se concentrar em consertar seus erros, não em novas aquisições. A declaração foi feita um dia depois de seu governo ter dito que apoiará uma moção da oposição trabalhista pedindo que Murdoch desista do negócio. O vice-premiê Nick Clegg já havia feito pedido semelhante .

AFP
Protesto em Londres mostra Murdoch dizendo "eu sou dono desse país"; ao lado, Cameron e o ministro da Cultura, Jeremy Hunt, são representados como marionetes

Durante a sessão no Parlamento, o premiê foi pressionado pelo líder dos trabalhistas Ed Miliband a explicar sua relação com o ex-porta-voz Andy Coulson , que foi editor do tabloide "News of the World", acusado de grampear telefones de milhares de pessoas, incluindo políticos e celebridades.

Cameron defendeu sua decisão de contratar Coulson e disse que ele garantiu não ter tido nenhum envolvimento com o escândalo dos grampos, que começou a ser investigado em 2006. “Se ele mentiu para mim, se mentiu para a polícia, se mentiu para a comissão (que investiga o caso), então isso seria motivo para grande lamentação e para um processo criminal”, afirmou o premiê.

Durante a sessão de perguntas, Miliband disse que o fato da editora-executiva da News International, Rebekah Brooks , ainda estar no cargo é um insulto para a família de Milly Downer, jovem assassinada que teria tido seu telefone grampeado pelo tabloide.

Cameron respondeu que o pedido de renúncia de Brooks deveria ter sido aceito. “Toda a organização precisa de uma mudança profunda”, afirmou. “O que aconteceu nessa empresa é vergonhoso e deve ser abordado em todos os níveis”.

Em sua visita ao Parlamento, Cameron prometeu investigar se vítimas dos ataques de 11 de Setembro foram alvos de escutas ilegais, conforme denúncia do jornal “The Daily Mirror”.

'Gigante'

Como o governo britânico é formado por uma coalizão entre o Partido Conservador e o Liberal Democrata, as três principais forças políticas estão unidas contra a intenção da News Corp. de avançar em sua compra de 100% das ações da BSKyB. Nesta quarta-feira, o Parlamento britânico votará a moção, que afirma ser "do interesse público", para tentar cancelar a proposta.

A News Corporation detém 39% das ações da BSkyB. O negócio criaria um "gigante" da mídia, com um lucro que superaria todos os seus rivais na Grã-Bretanha, incluindo a BBC. Grupos de mídia rivais alegavam, já antes do escândalo envolvendo os jornais de Murdoch, que o negócio prejudicaria a concorrência ao concentrar muito poder em uma só companhia.

EUA

O escândalo dos grampos também ganha ampla repercussão nos Estados Unidos, onde a News Corp. é dona de grande número de meio de comunicação, como a emissora FOX e os jornais "The New York Post" e "The Wall Street Journal".

Na terça-feira, o senador democrata Jay Rockefeller pediu uma investigação para saber se o grupo realizou escutas ou outras atividades ilegais nos EUA. Em comunicado, Rockefeller disse que os grampos "podem ter se estendido a vítimas dos atentados de 2001 e a outros americanos".

Rockefeller preside o Comitê de Comércio, Ciência e Transporte do Senado dos EUA, mas por enquanto não há previsão de que uma investigação sobre o caso seja aberta.

Com AP, BBC e EFE

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