O presidente da Bolívia, Evo Morales, fez um apelo neste sábado pela defesa do processo revolucionário de seu governo ou morrer pela pátria, em meio à violenta crise política, que já deixou 18 mortos e quase uma centena de feridos em cinco dias de enfrentamentos.

"Sempre gritamos 'pátria ou morte', se não podemos vencer temos que morrer pela pátria e pelo povo boliviano", afirmou Morales em uma concentração de sindicatos cocaleiros no departamento de Cochabamba, onde entregou ambulâncias doadas pela Venezuela e pela Espanha.

"Esta revolução democrática e cultural deve ser terminada, deve ser concluída", sentenciou.

O prefeito de Pando, Leopoldo Fernández, confirmou a morte de mais duas pessoas - um militar e um civil - em choques com o Exército na noite de sexta-feira, elevando para 18 o número de mortos em conseqüência da onda de violência registrada no país ao longo da última semana.

Neste sábado, o governo abriu uma brecha para o diálogo com os governadores da oposição para pacificar o país e solucionar a crise política, apesar da manutenção do estado de sítio em Pando, onde a ação de grupos de direita mantém a tensão na região.

O governo boliviano e o prefeito do departamento de Tarija, Mario Cossío, representando cinco regiões rebeldes, concordaram na madrugada deste sábado em criar condições para abrir o diálogo e acabar com a violência.

Os governadores dos departamentos rebeldes de Santa Cruz, Tarija, Pando, Beni e Chuquisaca se reunirão no domingo para avaliar a situação e ouvir a opinião de Cossío, antes de um segundo encontro com representantes do Executivo em La Paz, disse à AFP uma fonte próxima a estas autoridades.

O vice-ministro da Descentralização, Fabián Yacsik, informou que os temas abordados na reunião com Cossío incluíram "os critérios do que é o financiamento da renda Dignidade, o IDH (imposto sobre combustíveis), (..), assim como a nova Constituição, o tema das autonomias e estatutos autonômicos".

Apesar deste passo para o diálogo, os governadores e líderes civis de oposição continuam com os protestos nas cinco regiões rebeldes, com estradas bloqueadas, invasões e saques a prédios públicos e aeroportos, enquanto o governo mantém a segurança reforçada nos campos de petróleo e no departamento de Pando.

O epicentro da violência neste sábado foi a cidade de Cobija, em Pando, na fronteira com o Brasil, onde tropas do Exército tentam retomar o controle e impor a ordem.

Diante da gravidade da situação boliviana, a União das Nações Sul-Americanas (Unasur) se reunirá em caráter de emergência na segunda-feira, em Santiago do Chile, informou a presidente chilena, Michele Bachelet.

Morales, por outro lado, afirmou neste sábado que a decisão de seu governo de expulsar o embaixador dos Estados Unidos, Philip Goldberg, não foi por "fragilidade" e sim por "dignidade" e pela "soberania dos povos".

"O governo boliviano tomou uma decisão não por fragilidade e sim por dignidade e pela soberania dos povos ao declarar persona non grata o embaixador dos Estados Unidos", afirmou o presidente, ao comentar as declarações do porta-voz do Departamento de Estado americano, Sean McCormack

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