Pressionado, líder da Tunísia dissolve governo e convoca eleições

Em meio a manifestações por sua renúncia, líder promete eleições dentro de seis meses; total de mortos seria de 79 desde dezembro

iG São Paulo |

O presidente da Tunísia, Zine El Abidine Ben Ali, destituiu nesta sexta-feira o governo e prometeu a convocação de eleições legislativas antecipadas em um prazo de seis meses, segundo a agência oficial tunisiana TAP.

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Túnis, capital da Tunísia, foi palco de distúrbios entre forças de segurança e manifestantes contrários ao governo do presidente Zine El Abidine Ben Ali
O anúncio foi feito em meio a semanas de protestos que deixaram oficialmente 23 mortos, número que, segundo fontes independentes, seria de 79.

Citado pela TAP, o primeiro-ministro Mohammed Ghannouchi disse que Ben Ali tomou uma série de decisões na noite de quinta-feira para conter os distúrbios, incluindo "dispensar o governo e organizar eleições em seis meses". Ghannouchi informou ter sido encarregado de formar o novo governo.

Durante o dia, a polícia lançou bombas de gás lacrimogêneo contra os manifestantes que pediam a renúncia do presidente em Túnis.

Milhares de pessoas saíram às ruas da capital tunisiana e outras cidades do país para pedir a saída do presidente, apesar do discurso que o presidente fez na véspera na tentativa de diminuir a tensão em seu país.

Em função dos distúrbios, o embaixador da Tunísia perante a Unesco, Mezri Hadad, apresentou nesta sexta-feira sua renúncia, vários dias depois de ter pedido ao presidente que "detivesse o banho de sangue contra os manifestantes", segundo uma carta.

A Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navy Pillay, pediu na quarta-feira ao governo da Tunísia a realização de investigações "independentes" sobre o "uso excessivo" da força por parte de seus serviços de segurança.

Na capital, os manifestantes marcharam pela principal avenida da cidade, sem a intervenção da polícia.

O presidente tunisiano pediu na quinta-feira à força pública que não atire contra os manifestantes e anunciou que não deseja disputar um novo mandato em 2014. O anúncio teve o objetivo de apaziguar a onda de protestos sem precedentes contra o seu regime.

O discurso foi bem acolhido pelos diferentes componentes da oposição, que tem sido perseguida durante os 23 anos de Ben Ali no poder.

AFP
Milhares protestam em frente ao prédio do Ministério do Interior em Túnis, capital da Tunísia
O ministro de Relações Exteriores Kamel Morjane afirmou esta sexta-feira que um governo de unidade nacional em seu país "é possível e até seria normal". "Com o comportamento de pessoas como Nejib Chebi (opositor), acho que é possível, até seria totalmente normal", declarou o ministro por telefone.

Chebi é o líder histórico do Partido Democrático Progressista (PDP), um grupo opositor autorizado na Tunísia, mas que não tem representação no Parlamento.

*Com AFP, EFE e BBC

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