Pressionado, Governo dos EUA deve estender ajuda a novos setores

Céline Aemisegger. Washington, 12 nov (EFE).- O Governo dos Estados Unidos estenderá seus planos de ajuda a empresas de fora do setor bancário, mas que são vitais para o consumo, como as de cartões de crédito e financiamento de automóveis, e estuda novas medidas para evitar mais execuções hipotecárias, anunciou hoje o secretário do Tesouro Henry Paulson.

EFE |

O secretário do Tesouro compareceu hoje em coletiva de imprensa para dar uma atualização do andamento do plano de resgate de US$ 700 bilhões aprovado pelo Governo em setembro.

Paulson defendeu as medidas incluídas no plano ao assegurar que o sistema financeiro americano "está mais forte e estável", apesar de ter reconhecido que o mercado financeiro "permanece frágil" e que o foco deve ser "consertar" a economia.

Nesse sentido, Paulson admitiu que seguem existindo "muitos desafios" para superar a crise financeira e, por essa razão, seu departamento definiu já os eixos de uma segunda fase do plano de resgate, com três linhas básicas de atuação.

Uma das três medidas, talvez a que mais tenha efeito nos bolsos dos contribuintes, será a de ajudar as empresas financeiras não bancárias e que, segundo Paulson, estão "chegando ao fundo do poço".

"Este mercado, que é vital para o financiamento e o crescimento, chegou praticamente à paralisação total", explicou.

O Tesouro está pensando em criar um instrumento que possa comprar bônus lastrados pela dívida de alta qualidade destas empresas, com objeto de dar a elas liquidez novamente, embora o plano ainda possa demorar "semanas" para ser executado.

Segundo Pauslon, o instrumento também poderia ser usado para "respaldar" títulos hipotecários comerciais e residenciais.

A medida será financiada, em parte, a partir do dinheiro que o Governo economizou quando decidiu não adquirir os chamados ativos "tóxicos", relacionados com as hipotecas, uma medida que foi inicialmente o motor do plano de resgate.

Porém, diante da rápida piora da economia, Paulson em breve mudou de foco para os bancos e hoje reconheceu abertamente que "não era a maneira mais efetiva" de empregar fundos públicos.

O secretário do Tesouro assinalou que o Governo seguirá investindo em ações dos bancos, embora queira obrigar às entidades que se beneficiem destas medidas a captar também financiamento privado, como parte da segunda medida anunciada hoje dentro da segunda fase do plano de resgate.

O Governo pode comprar ações em entidades financeiras por um montante de até US$ 250 bilhões. Em 26 de outubro, o Tesouro gastou US$ 115 bilhões em oito grandes entidades e aprovou outras 12 solicitações respaldadas na iniciativa.

Uma condição para que um banco possa acolher este plano é, segundo Paulson, "que as entidades sigam emprestando" ao mercado.

O terceiro grande pilar da nova fase do plano de resgate beneficiará proprietários de imóveis devedores, que poderão passar por uma revisão das condições de suas hipotecas.

"Agora que não estamos planejando comprar ativos 'tóxicos' relacionados às hipotecas, temos que buscar outra via" para prevenir as execuções, afirmou Paulson.

Um modelo a ser seguido poderia ser o impulsionado pela presidente da Corporação Federal de Seguros de Depósitos (FDIC, na sigla em inglês), Sheila Bair, que já levou à modificação de 3.500 créditos hipotecários, o que reduziu aos proprietários sua cota média de US$ 380 (23%) ao mês.

Graças ao novo plano e a outras iniciativas já existentes, "potencialmente centenas de milhares de proprietários com problemas poderão manter suas casas com uma parcela acessível em suas hipotecas", ressaltou Paulson.

Por outra parte, e apesar da exigência dos democratas, o secretário do Tesouro deixou claro que outras indústrias não financeiras, como a automobilística, não terão acesso ao plano de resgate bilionário.

Apesar de ter reconhecido que o setor automobilístico "precisa de uma solução", pois é muito "importante" e "crucial" para o país, Paulson considera que a solução passa pelo Congresso modificar uma lei que dê US$ 25 bilhões em empréstimos à indústria para produzir veículos menos poluentes. EFE cai/rr

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