Pressionado, Governo cubano nega existência de presos políticos

Genebra, 3 mar (EFE).- O chanceler de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla, negou hoje que haja presos políticos na ilha e disse que os reclusos considerados em tal situação pela comunidade internacional cometeram atos ilegais.

EFE |

"Não reconheço a existência de presos políticos", disse o ministro cubano em um encontro com um grupo de jornalistas em Genebra (Suíça).

"Para mim, não se trata de presos políticos, não são presos de consciência. São pessoas que cometeram atos ilegais, que foram julgadas por tribunais civis, em processos ordinários e com todas as garantias processuais", assinalou o chanceler, que discursou hoje como orador no Conselho de Direitos Humanos da ONU.

Segundo ele, os presos cometeram "atos contrários à independência e à ordem constitucional do Estado cubano".

O ministro disse que, como consequência, ele está nas mesmas condições dos presos comuns e que as leis cubanas preveem em geral diversos mecanismos de libertação aplicáveis a todos, como a anistia, o indulto ou o perdão presidencial.

Sobre o pedido de alguns Governos para que as autoridades cubanas libertem cerca de 200 presos políticos, o ministro assegurou que nenhum país se dirigiu oficialmente a Cuba nesse sentido e que as declarações públicas a respeito constituem uma "ingerência".

"Jamais o Governo cubano agiria sob pressão de outros países nessa matéria nem em nenhuma outra", apontou.

Em relação à morte há uma semana do dissidente Orlando Zapata, após dois meses e meio de greve de fome para que fosse reconhecido como preso de consciência, o ministro argumentou que neste caso o Governo da ilha respeitou a lei e os princípios humanitários.

Sem falar em nenhum momento o nome de Zapata, o ministro disse que o preso foi condenado por um crime comum e que já na prisão "se vinculou a grupos que recebem instruções dos EUA contra Cuba".

Em outro momento, o chanceler cubano explicou que não se referia a Zapata pelo nome porque "não é uma pessoa conhecida em Cuba", assim como "por respeito a seus parentes".

Perante a menção de que organismos de defesa dos direitos humanos, como a Anistia Internacional, reconheciam Zapata e outros como presos de consciência, questionou as fontes de financiamento da ONG.

Após a morte de Zapata, outros presos políticos decidiram iniciar greves de fome, entre eles o sociólogo e jornalista Guillermo Farinas. Para o ministro, o detento foi punido "por ser um agente a serviço de uma potência estrangeira".

Ele o acusou de "abusar" da liberdade condicional que possui por razões de saúde e de "continuar realizando uma atividade (...) que viola as leis cubanas".

Neste caso, o ministro apontou que o Governo "atua com toda paciência e serenidade" e que o atendimento médico necessário está sendo prestado.

Sobre a razão que levou Farinas a realizar a greve de fome (a libertação de 26 prisioneiros políticos em estado de saúde ruim), o ministro cubano indicou que "em Cuba não há nenhum preso cuja situação seja incompatível com as condições do regime penitenciário.

Quatro dissidentes que iniciaram greves de fome na semana passada já abandonaram o protesto, como disseram hoje à Agencia Efe fontes da dissidência.

O último a deixar a greve foi Fidel Suárez. Nos últimos dias, haviam abandonado o protesto Diosdado González, Nelson Molinet e Eduardo Díaz Fleitas.

Antes de encerrar a reunião com jornalistas, Rodríguez negou que ativistas que tentaram ir ao enterro de Zapata tenham sido detidos.

EFE is/rr

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