Pressionado, Gordon Brown usa crise financeira para defender sua liderança

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, tenta aproveitar a crise financeira para defender sua liderança, ressaltando sua experiência e prometendo permanecer sólido como uma rocha em meio às turbulências num discurso nesta terça-feira para membros do Partido Trabalhista.

AFP |

A meta de seu governo é ser "uma rocha de estabilidade e justiça" no atual contexto de crise, declarou Brown na tribuna do congresso do Partido Trabalhista em Manchester, onde pronunciou um discurso ilustrado por experiências pessoais e memórias de tempos adversos.

Brown, que substituiu Tony Blair à frente do governo em junho de 2007 e desde então só faz cair nas pesquisas de opinião, disse que sua missão é construir uma "sociedade justa".

O premier prometeu melhorar a saúde e a educação no país, com a distribuição remédios para pacientes com câncer e internet grátis para famílias de baixa renda, destacou sua experiência de dez anos como ministro das Finanças.

"Estes não são tempos para um novato", declarou Brown, de 57 anos, que lançou várias farpas contra David Cameron, líder dos conservadores, principal partido de oposição aos trabalhistas, que possui ampla vantagem nas pesquisas de intenção de votos.

Insistindo nos tempos "difíceis" e "incertos" de hoje e nos problemas trazidos pelas turbulências financeiras das últimas semanas, o chefe de Governo britânico tentava convencer os céticos militantes de seu partido de que é o líder que pode levar o trabalhismo à quarta vitória nas urnas.

Brown disse que viajará após o fechamento do Congresso na quarta-feira para Nova York, onde pretende defender reformas do sistema financeiro global ao lado de seu ministro das Finanças, Alistair Darling.

Ainda sobre sua ida a Nova York, Brown afirmou que discutirá com diretores de instituições financeiras e líderes políticos a necessidade urgente de criar mecanismos de fiscalização global do sistema financeiro para garantir uma "maior transparência" e "responsabilidade".

Recebido como herói no ano passado em seu primeiro congresso trabalhista como primeiro-ministro, Gordon Brown é agora alvo de um movimento rebelde formado no seio do partido, que o culpa pela vantagem de 20 pontos dos conservadores apontada pelas últimas pesquisas.

Brown, que foi aplaudido de pé duas vezes enquanto discursava, tentando soar íntimo e pessoal - que normalmente não é -, luta para recuperar sua autoridade depois que 12 deputados trabalhistas exigiram mudanças na direção do partido.

Além disso, quatro dirigentes trabalhistas foram forçados a deixar seus cargos no governo por terem se pronunciado contra o primeiro-ministro.

Segundo uma pesquisa da Mori, 54% dos militantes do Partido Trabalhista querem a renúncia de Brown, enquanto 45% acha necessário uma mudança de liderança antes das eleições do ano que vem.

Entretanto, a sobrevivência política de Brown ainda não parece diretamente ameaçada, já que nenhuma alternativa concreta dentro do partido se apresentou para substituí-lo. O mais provável candidato, segundo comentaristas políticos, é o atual ministro das Relações Exteriores, David Miliband.

A fala de Brown foi "o melhor discurso da semana", disse Miliband à AFP, após a intervenção do primeiro-ministro.

"Seu discurso foi um pouco pobre em anúncios, mas serviu para estimular os militantes, já que estamos muito desmoralizados", comentou por sua vez Tony Booth, pai de Cherie Blair, mulher do ex-premier britânico.

et/ap

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