Paco G. Paz.

Washington, 2 out (EFE).- A sobrevivência do grande plano de resgate financeiro está de novo nas mãos da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, que hoje já recebe uma pressão ainda maior para mudar de postura e finalmente aprovar a ajuda.

As pressões vieram da Casa Branca, do próprio Congresso e inclusive dos mercados financeiros, que hoje sofreram novas quedas diante dos efeitos que o congelamento do crédito está tendo sobre as economias das famílias.

O presidente americano, George W. Bush, foi o primeiro a advertir que a aprovação do plano é urgente, pois a falta de crédito já está atingindo a classe média.

"Enquanto as pessoas estão preocupadas com seu futuro, pois o Governo não toma medidas a respeito, o crédito congelou. Não há empréstimos interbancários nem se está emprestando dinheiro a nossas pequenas e médias empresas. E isso significa que empregos estão em risco", disse Bush.

Bush pediu à Câmara que aprove o pacote amanhã, pois, segundo ele, "é a medida que melhor ajudará a proporcionar liquidez, crédito e dinheiro para que as pequenas e médias empresas possam funcionar".

Na última segunda-feira, a Câmara rejeitou de forma surpreendente uma versão inicial do plano, o que derrubou as bolsas de todo o mundo.

Ontem, o Senado aprovou uma versão ampliada na qual, além do resgate da dívida de má qualidade dos bancos por US$ 700 bilhões, se somam outros US$ 100 bilhões em abrandamento fiscal para os cidadãos.

Além disso, foram incorporadas diversas medidas que buscam não somente aproximar o pacote das necessidades dos contribuintes, mas também ganhar o apoio concreto dos congressistas que o rejeitaram na segunda-feira.

A presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, defendeu hoje a necessidade de se apoiar o plano e, embora tenha reconhecido que não há garantias de que ele será aprovado, se mostrou "otimista".

Diante da imprensa, a congressista democrata admitiu que a ampliação do pacote será outro golpe ao já grande déficit fiscal do país, mas afirmou que é a melhor medida que há sobre a mesa para enfrentar a crise.

"Não é que gostamos deste plano. Preferíamos ter gasto este dinheiro em infra-estrutura, hospitais e escolas. Mas é o melhor que temos sobre a mesa para recuperar a confiança nos mercados", explicou Pelosi.

Ela insistiu que as medidas incorporadas pelo Senado "beneficiam mais 'Main Street'" - em referência ao cidadão comum - "que Wall Street".

Muitos membros da Câmara votaram contra após receber centenas de e-mails de cidadãos de seus distritos rejeitando um plano que, segundo eles, só beneficiaria os bancos.

Pelosi ressaltou que a situação mudou. "Todos nos demos conta que a restrição do crédito está afetando todos os cidadãos", assinalou.

"Se não atuarmos logo, veremos como termina o sonho americano de milhões de cidadãos", alertou.

Ela ainda anunciou que, na próxima semana, o presidente do Comitê de Serviços Financeiros da Câmara Baixa, Barney Frank, dará início a um período de audiências destinadas a elaborar uma nova legislação sobre o funcionamento do sistema financeiro.

"Não queremos que esta situação volte a acontecer no futuro.

Queremos proteger o contribuinte e evitar que as práticas de Wall Street voltem a colocar em perigo as economias dos contribuintes", concluiu Pelosi. EFE pgp/rb/rr

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