Pressão internacional leva Junta Militar mauritana a libertar ex-presidente

Abderrahman Mohamed.

EFE |

Nuakchott, 21 dez (EFE) - A libertação incondicional do ex-presidente mauritano Sidi Mohammed Ould Cheikh Abdallahi, deposto no golpe de Estado de 6 de agosto, é fruto da pressão da comunidade internacional, mas não satisfaz às exigências da oposição, que pede a restitução de suas funções legítimas.

A libertação do ex-líder estava prevista para 24 de dezembro, três dias antes da organização dos Estados Gerais da democracia, anunciados pela Junta Militar para o próximo sábado com o objetivo de restituir a democracia no país.

No entanto, o ex-presidente, que se encontrava sob prisão domiciliar em seu povoado natal, situado a cerca de 250 quilômetros de Nuakchott, foi libertado e levado nesta madrugada até a capital, antes de voltar, horas depois, a Lemden.

Os golpistas mantiveram Abdallahi em prisão domiciliar em um chalé do palácio presidencial na capital e, depois, ele permaneceu detido sob vigilância militar em seu povoado natal, onde estava desde 13 de novembro.

A transferência do ex-presidente para Lemden, assim como sua libertação, foi conseqüência da pressão da comunidade internacional, apesar de este passo não cumprir os requisitos reivindicados pelos opositores ao golpe.

A União Européia (UE) tinha dado à Junta Militar o prazo de até 20 de novembro para que os militares restabelecessem o antigo presidente em suas funções, sob pena de anunciar sanções econômicas contra o país.

Por sua vez, a União Africana (UA) lançou outro ultimato, que terminou em 6 de outubro, com o objetivo de conseguir o restabelecimento da ordem constitucional.

Já os Estados Unidos impuseram restrições de viagem a membros da Junta Militar e do novo Governo, assim como a todas as pessoas que "apóiem as políticas ou ações que impedem a volta da Mauritânia a um regime constitucional".

Tanto a UE quanto a UA integraram, junto com outras organizações internacionais, como a Liga Árabe, a delegação internacional que viajou para a Mauritânia em 7 de dezembro na busca de uma saída à crise política interna.

Um dos frutos dos contatos com o presidente deposto e com os responsáveis do novo poder foi a promessa de libertação de Abdallahi, como primeira condição para a preparar a volta à ordem constitucional.

A visita da delegação internacional a Abdallahi lançou a mensagem de que o retorno à ordem constitucional não pode ser aceito sem que antes seja solucionada a situação do primeiro presidente eleito de forma democrática na história do país.

No entanto, embora a libertação possa ser um passo rumo à busca de uma solução para a crise, o novo poder na Mauritânia segue sem ter legitimidade constitucional.

Para remediar essa situação, a Junta Militar decretou uma ordem não incluída na Constituição revisada e votada por plebiscito em 2006, através da qual concedeu provisoriamente essa legitimidade ao Alto Conselho de Estado (ACE) autoproclamado após o Golpe.

O ACE decidiu, além disso, organizar para 27 de dezembro os chamados Estados Gerais para a democracia, um dia de combinações políticas com a participação de partidos e outras organizações da sociedade civil.

Esse encontro preparará as próximas eleições presidenciais, que, segundo o novo poder na Mauritânia, acabarão com o estado de exceção no qual o país vive desde 6 de agosto.

Sobre o futuro político do país, no entanto, também pesará a atitude do ex-presidente, sobretudo porque uma parte da classe política, unida na Frente Nacional para a Defesa da Democracia (FNDD), mantém sua oposição à Junta Militar e não participará dos Estados Gerais.

Tanto o presidente deposto quanto essa coalizão tornaram pública sua decisão de não participar dos Estados Gerais, dado que, com essa medida, segundo eles, se "legitimaria o golpe de Estado" que colocou os militares no poder em agosto.

Esta postura política complicará a situação de um país que, com apenas 3,3 milhões de habitantes, permanece vigiado pela comunidade internacional desde o golpe militar. EFE moo/ab/db

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