Presos VIPs da Indonésia têm direito a celas luxuosas

Juan Palop. Jacarta, 14 jan (EFE).- Ar condicionado, karaokê, cozinha, banheiro privativo e inclusive tratamento de beleza facial são alguns dos luxos oferecidos nas sórdidas prisões da Indonésia aos presos mais ricos em troca de gordos subornos aos carcereiros.

EFE |

Nesta semana, a recente descoberta da rede de favores e corruptelas que os réus mais ricos do país - condenados na maioria por crimes financeiros - armaram com guardas e diretores de presídios ganharam espaço nas manchetes de todos os jornais e nos noticiários das televisões.

O Governo, que prometeu uma luta ferrenha contra a "máfia judicial", foi interditado de novo pela generalizada conivência dos funcionários e a permissividade diante da vida dupla que muitos presos levavam dentro das prisões à base da distribuição de muito dinheiro aos responsáveis por guarnecê-los.

"Temos que evitar que levantem pequenos reinos nas prisões", afirmou o ministro da Justiça e Direitos Humanos, Patrialis Akbar.

"Muitos destes funcionários trabalhavam na mesma prisão há cinco e, inclusive, dez anos. Temos que trocá-los (de centro penitenciário)", apontou o titular.

O escândalo veio à tona no final de semana, quando um grupo de trabalho governamental encarregado de esboçar a estratégia da luta contra a corrupção efetuou uma inspeção surpresa à empresária Artalyta Suryani, presa desde 2008 por subornar um promotor.

Seguindo uma seleção, os membros da equipe foram até a prisão de mulheres de Pondok Bambu, em Jacarta, e surpreenderam à endinheirada presidiária fazendo um tratamento laser de beleza facial dentro da própria cela, um espaço de 64 metros quadrados com aspecto de apartamento, com direito a ar condicionado, karaokê, televisão de tela plana, frigobar e cama de casal.

A revelação da mordomia carcerária levantou a ira do povo indonésio, um país em que cem milhões de pessoas, 40% da população, vivem com menos de US$ 2 por dia e suas casas precisam de todas essas comodidades.

Em uma ação rápida para contornar a situação, o Governo afastou Sarju Wibowo, a diretora de Pondok Bambu, e estabeleceu mudanças periódicas dos funcionários de serviço penitenciário ao entender que esses favorecimentos são frequentes.

Neste sentido, a televisão "MetroTV" revelou que muitos prisioneiros subornam os guardas em troca de favores, desde pequenas quantias para passar por cima de detalhes até mais de US$ 215 ao mês por um aparelho de ar condicionado na cela.

O escândalo gerado a partir da boa vida que a empresária Artalyta Suryani levava na prisão na Indonésia se explica mais pela atual situação política do país, salpicada de notórios incidentes de corrupção no sistema judiciário, que pela novidade deste tipo de privilégio.

Este episódio não foi o primeiro e nem será o último. O caso mais famoso de privilégio a presos de classe alta na Indonésia foi protagonizado pelo filho mais novo do ex-ditador Suharto, Hutomo Mandala Putra, apelidado "Tommy".

Amante dos esportes, este "playboy" foi condenado a 15 anos de prisão por ordenar o assassinato de um juiz do Tribunal Supremo que o tinha condenado, mas cumpriu apenas cinco anos em uma cela especial com empregados e em meio a diversos aquários gigantes.

"Tommy" foi beneficiado pelo sistema de redução de pena por boa conduta da legislação penitenciária do país e conseguiu a condicional após ter completar dois terços da pena.

A corrupção é uma praga endêmica na Indonésia, um dos países menos transparentes do mundo segundo diversos estudos. EFE jpm/dm

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