Presos que exige Al Qaeda pelo refém francês devem ser libertados

Bamaco, 19 fev (EFE).- Um tribunal de Bamaco julgou os quatro presos islamitas que foram condenados a nove meses de prisão (pena já cumprida), o que significa que em breve os homens serão colocados em liberdade, como confirmaram hoje à Agência Efe fontes jurídicas malienses.

EFE |

A Al Qaeda exige a libertação dos quatro para não matar o refém francês Pierre Camatte.

Os quatro foram detidos no norte do país pouco depois do assassinato a tiros de um coronel do Exército malinês em sua casa em Tombuctú, no início de junho, por isso a pena imposta já foi cumprida em prisão preventiva.

Os presos - dentre eles um argelino que a Argélia pede a extradição sob a acusação de participar dos atentados de 11 de abril de 2007 em Argel - foram julgados na quinta-feira em uma sessão extraordinária.

Eles foram condenados a nove meses de prisão pelo delito de "posse ilegal de armas de fogo e de munição", indicaram as mesmas fontes.

No comunicado divulgado no início de fevereiro na internet, a organização Al Qaeda no Magrebe Islâmico (AQMI) havia ameaçado matar Camatte se até o dia 20 não fossem cumpridas suas reivindicações, incluindo a libertação dos quatros ativistas presos em Bamaco.

Desde então, em duas ocasiões, o ministro de Exteriores francês, Bernard Kouchner, esteve em Bamaco para se reunir com o presidente do país, Amadou Toumani Touré.

Fontes oficiais malienses indicaram após sua última visita no último sábado, que Kouchner pressionou reiteradamente Touré pela libertação dos presos, uma decisão extremamente complicada para Mali e à qual se opõe a Argélia e outras potências ocidentais como os Estados Unidos e o Reino Unido.

Além de Camatte - o primeiro estrangeiro sequestrado em Mali - o braço da Al Qaeda no Magrebe mantém em seu poder os voluntários espanhóis Alicia Gámez, Roque Pascual e Albert Vilalta, capturados em 29 de novembro na Mauritânia e levados para o norte malinês.

Em 17 de dezembro, o italiano Sergio Cicala e sua mulher originária de Burkina Faso, Filomena Kabouré, foram seqüestrados na Mauritânia, que foram levados igualmente ao norte de Mali.

Camatte está nas mãos de uma facção mais radical da AQMI liderada pelo argelino Abu Zeid, que em junho executou o refém britânico Edward Dyer, depois que, conforme os terroristas, Londres não atendesse as suas exigências.

O ultimato de 20 de fevereiro sobre o francês era o segundo e "definitivo", de acordo com o comunicado de AQMI, para que Mali e França atendessem as suas exigências.

Esse comunicado fixou 1º de março para o cumprimento das suas reivindicações em troca dos sequestrados italianos, incluindo a libertação de vários presos na Mauritânia. EFE jg/dm

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