Presos de Guantánamo falam com familiares por videoconferência

Por Stephanie Nebehay GENEBRA (Reuters) - Vários detidos na prisão norte-americana da Baía de Guantánamo fizeram suas primeiras ligações por videoconferência a suas famílias, informou o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) na sexta-feira.

Reuters |

O programa humanitário, inaugurado sem alarde na quinta-feira, está disponível a todos os prisioneiros, com a exceção dos apontados pelas autoridades dos Estados Unidos como "detentos de alto valor", disse o porta-voz do CICV, Simon Schorno.

"As autoridades dos EUA têm o direito de impedir que prisioneiros participem e também têm o direito de monitorar e censurar as ligações por videoconferência," disse Schorno à Reuters.

Mais de 60 prisioneiros se inscreveram para participar do link, que estava em discussão desde abril, enquanto as autoridades norte-americanas têm permitido um contato cada vez maior entre eles e seus entes queridos, disse ele.

Os prisioneiros de Guantánamo estão autorizados a fazer telefonemas aos parentes desde abril de 2008 e a enviar fotos desde o início deste ano, afirmou Schorno.

A polêmica prisão foi criada pelo governo Bush no começo de 2002 para abrigar os estrangeiros capturados depois que as forças lideradas pelos EUA invadiram o Afeganistão para acabar com a Al Qaeda e com o Taliban em resposta aos ataques de 11 de setembro de 2001.

Por volta de 226 prisioneiros, de 28 nacionalidades, estão detidos na base naval dos EUA no sudeste de Cuba, que o presidente Barack Obama pretende fechar até janeiro de 2010.

O CICV, uma agência humanitária neutra cujos funcionários visitam regularmente os detidos em Guantánamo desde janeiro de 2002, disse que as chamadas duram uma hora e estão limitadas aos parentes próximos.

Schorno descreveu as conversas como "o equivalente visual de uma mensagem da Cruz Vermelha", que em geral são mensagens manuscritas que os prisioneiros de todo o mundo podem enviar a seus entes queridos.

As famílias participam das ligações nos escritórios da CICV ou nos escritórios nacionais da Cruz Vermelha/Crescente Vermelho nos países em que moram. Um link de vídeo similar funciona para os suspeitos presos pelos EUA no centro de detenção de Bagram, no Afeganistão, desde o começo de 2008.

O maior grupo de presos remanescente em Guantánamo é do Iêmen, seguido por afegãos e chineses uigures.

Alguns detentos estão sendo libertados enquanto outros devem ser processados em cortes federais ou comissões militares dos EUA.

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