Presos após conflitos em província chinesa passam de 1,5 mil

As autoridades chinesas prenderam nos últimos dias 319 pessoas por suposto envolvimento nos episódios de violência étnica que aconteceram no início do mês passado na Província de Xinjiang, elevando o total de presos após os incidentes para mais de 1,5 mil, de acordo com a imprensa estatal do país.

BBC Brasil |


Não se sabe ao certo, no entanto, quantas pessoas podem ter sido libertadas após a onda de prisões que se seguiu aos conflitos entre membros da etnia han e da minoria uigur.

As prisões dos últimos dias se somam às 253 detenções que aconteceram na semana passada e às mais de mil que ocorreram anteriormente, de acordo com a agência de notícias estatal Xinhua.

Ainda segundo a Xinhua, as prisões recentes foram resultado da publicação dos nomes dos suspeitos na imprensa local de Xinjiang. Não está claro qual a proporção de membros da etnia han e uigures presos e se alguém chegou a ser formalmente processado ou libertado.

Violência étnica

Os conflitos entre chineses da etnia han e membros da minoria uigur tiveram início no dia 5 de julho durante um protesto contra a morte de dois uigures em uma briga no sul da China.


Chineses observam carro queimado após distúrbios / AFP

Segundo o governo chinês, 197 pessoas teriam morrido nos confrontos que se seguiram ao protesto e 1,7 mil pessoas teriam ficado feridas.

As autoridades chinesas afirmam que a maioria dos mortos seria da etnia han, mas o Congresso Mundial Uigur, entidade que representa a minoria, afirma que muitos uigures também foram mortos.

Cartas

As autoridades chinesas acusam a líder do Congresso Mundial Uigur, Rebiya Kadeer, que vive exilada nos Estados Unidos, de orquestrar os conflitos de julho.

A imprensa estatal chinesa publicou, nesta segunda-feira, cartas atribuídas a dois filhos de Kadeer onde eles condenariam a mãe por estar por trás dos conflitos. "Por sua causa, muitas pessoas inocentes perderam suas vidas em Urumqi (capital de Xinjiang) em 5 de julho", diz a carta.

É difícil verificar de maneira independente se as cartas são realmente genuínas, mas Dilxat Raxit, porta-voz do Congresso Mundial Uigur que vive exilado na Alemanha, afirmou que elas são falsas.

Sete dos onze filhos de Kadeer ainda vivem em Xinjiang e, de acordo com organizações de defesa dos direitos humanos, sofrem diversos tipos de intimidação por causa de sua mãe.


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