Preso chadiano denuncia maus-tratos em Guantánamo

Cairo, 16 abr (EFE).- Um chadiano detido em Guantánamo disse ter sido vítima de maus-tratos na prisão, onde guardas o agrediram e foi exposto a gás lacrimogêneo, segundo denúncias feitas numa entrevista telefônica divulgada hoje pela rede de TV catariana Al Jazira.

EFE |

Mohammed al-Quranni afirmou que as torturas começaram 20 dias antes de Barack Obama tomar posse como presidente dos Estados Unidos, em janeiro deste ano, destaca o site internacional da emissora, que não especifica quando a entrevista foi feita nem como entrou em contato com o detido.

"Este tratamento começou cerca de 20 dias antes de Barack Obama se tornar presidente dos Estados Unidos. Desde então, fui objeto (de maus-tratos) da parte deles quase todos os dias", disse o chadiano, que reclamou de Obama ainda não ter feito nada que comprove que a situação dos presos na prisão mudará.

Em 22 de janeiro, dois dias após jurar o cargo, o presidente americano decretou o fechamento da base naval de Guantánamo - criada em 2002 - no prazo de um ano.

Na entrevista à "Al Jazira", Quranni disse ainda que, já depois de George W. Bush ter deixado a Presidência, uma vez foi maltratado porque se recusou a deixar a cela sem que lhe garantissem seus direitos, como os de circular pelas dependências da prisão, relacionar-se com outros detentos e consumir "comida normal".

Segundo o detido, diante dessa situação, seis guardas com equipamentos de proteção e capacetes entraram na cela com um militar que levava uma câmera e com outro que carregava gás lacrimogêneo.

"Eles tinham um cacetete grosso de borracha ou de plástico, com o qual me bateram. Esvaziaram dois recipientes com gás lacrimogêneo sobre mim", disse Quranni, que momentaneamente ficou sem conseguir ver ou respirar.

"Então, me golpearam contra o chão. Um deles segurava minha cabeça e a batia contra o chão", contou.

Qurani saiu da surra com um dente quebrado, o que ficou gravado na câmera.

"Com certeza, eles não gravaram o sangue. Gravaram minhas costas para que não aparecesse", acrescentou.

A "Al Jazira" disse que, após a conversa com o preso, pediu explicações ao Pentágono e ao Departamento de Justiça dos EUA. Brook Dewalt, um porta-voz de Guantánamo, respondeu dizendo que não havia nenhum documento que comprovasse a autenticidade do incidente. EFE aj/sc

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