Paris, 13 jul (EFE).- Os presidentes da França, Nicolas Sarkozy, e da Síria, Bashar al-Assad, protagonizaram o fim de semana diplomático de Paris: o primeiro pelo lançamento do projeto da União pelo Mediterrâneo (UPM) e o segundo por seu retorno à cena política internacional.

A Cúpula da União pelo Mediterrâneo (UPM) e a série de reuniões diplomáticas sobre os diversos conflitos do Oriente Médio permitiram que Sarkozy fosse protagonista e padrinho dos esforços de mediação e apoio aos processos de paz.

O presidente francês afirmou hoje que a "Europa não esteve bastante presente politicamente" no Oriente Médio, e passou dois dias empenhado em devolver essa presença no nível que considera necessário.

Assad deixará Paris como "grande beneficiado", segundo fontes diplomáticas européias, já que retornou pela porta principal à cena política internacional após um tempo de ostracismo devido à crise política do Líbano e sua aliança com o regime islâmico do Irã.

Ontem, Sarkozy disse que a Síria "desempenha um papel essencial" no Oriente Médio.

Líbano e Síria anunciaram em Paris que estabelecerão relações diplomáticas, o que unido à formação de um Governo de união nacional libanês oferece perspectivas de uma normalização nesse país.

Além disso, Assad pediu a Sarkozy que França e EUA participem "em um futuro acordo de paz entre Israel e Síria, na fase de negociação direta e na aplicação do acordo, incluindo as regras de segurança que possam ser necessárias".

Sarkozy vai selar a série de trabalhos diplomáticos com uma visita a Damasco antes de meados de setembro e com o compromisso de que a Presidência francesa da UE apoiará a assinatura de um acordo de associação com a Síria e sua posterior ratificação.

O chefe da diplomacia européia, Javier Solana, considerou hoje "possível" que esse acordo possa ser assinado antes do fim do ano.

A normalização da situação libanesa e a presença de Assad, que não visitava oficialmente Paris há sete anos, foram referendadas na reunião de sábado entre os presidentes desses dois países junto com Sarkozy e o emir do Catar, mediador do acordo de maio entre as forças políticas do Líbano.

O retorno de Assad só foi possível porque nos últimos meses a Síria respondeu de forma efetiva aos pedidos europeus para que contribuísse à solução da crise no Líbano e para uma melhora da situação dos refugiados procedentes do Iraque, acrescentaram as fontes diplomáticas.

Paris foi palco também de um novo capítulo dos contatos indiretos entre Síria e Israel através da Turquia, cujo primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdogan, se reuniu hoje, separadamente, com o chefe de Governo israelense, Ehud Olmert, e o presidente sírio.

Segundo fontes turcas, Erdogan foi quem se dirigiu primeiro ao hotel onde estava hospedado Olmert e, posteriormente, se foi até onde estava Assad.

O outro processo de paz abordado em Paris foi o de israelenses e palestinos, com outra reunião apadrinhada por Sarkozy, depois da qual o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, afirmou que seu país e os palestinos "nunca estiveram tão próximos de chegar a um acordo como agora".

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, afirmou que Sarkozy tinha "qualidades" para desempenhar um papel importante no processo de paz e que "com sua ajuda" seria possível "fazer a paz nos próximos meses".

No entanto, Olmert ressaltou que a ajuda da França no futuro do processo de paz é "suplementar" à dos Estados Unidos.

Sarkozy alcançou, além disso, seu objetivo de levar adiante a União pelo Mediterrâneo (UPM), lançada na cúpula de hoje, e um dos objetivos da Presidência francesa da UE.

O presidente francês fechou um fim de semana de grande anfitrião e de grande atividade diplomática com um jantar de gala no Petit Palais, próximo ao Palácio do Eliseu, onde chegou junto com sua esposa, Carla Bruni. EFE rcf/rr

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