Presidentes defendem fortalecer o Mercosul para enfrentar a crise

COSTA DO SAUÍPE - Os presidentes dos países-membros e associados do Mercosul defenderam hoje fortalecer o organismo para impulsionar a integração e enfrentar os efeitos da crise econômica internacional, durante o início da cúpula da América Latina na Costa do Sauípe, na Bahia.

Redação com agências internacionais |

A reunião - organizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva - conta com a participação dos líderes da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner; do Paraguai, Fernando Lugo, e do Uruguai, Tabaré Vázquez, membros plenos do Mercosul.

Também estão presentes os presidentes do Chile, Bolívia e Equador, países associados do Mercosul, junto com Colômbia e Peru, representados hoje por seus vice-presidentes.

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, não chegou a tempo para o início da reunião do Mercosul, apesar de seu país estar à espera de se integrar plenamente neste organismo multilateral.


Representantes dos países latinos se reuniram na Costa do Sauípe / AFP

Abertura da cúpula

Na abertura da sessão, o uruguaio Vázquez manifestou sua satisfação com a liderança do Brasil do bloco, que permite aumentar a voz do Mercosul nos fóruns internacionais.

"Vemos com grande beneplácito o trabalho internacional que Lula desempenhou e que, reitero, interpretou, sem dúvida, o pensamento do povo e do governo do Uruguai", acrescentou.

Vázquez disse que espera que a região consiga superar todas as dificuldades e as incertezas que virão em 2009 e afirmou que, para isso, será necessário aumentar a união e fortalecer o processo de integração.

O presidente paraguaio, Fernando Lugo, disse que o Mercosul "passa por um momento importante de integração", e insistiu na necessidade de manter a "identidade própria" do bloco.

Também se comprometeu a fazer o "melhor dos esforços" a partir de agora na presidência pro tempore do Mercosul, que o Brasil entregará hoje ao Paraguai.

A presidente argentina - que mais uma vez chegou tarde à inauguração da cúpula - uniu-se aos discursos em defesa de "revitalizar" o Mercosul, "para nos relacionar com outros mercados, talvez com uma visão diferente da que se teve até agora".

"Deveríamos reivindicar com força às economias desenvolvidas uma atuação e políticas mais proativas", acrescentou Cristina.

De acordo com a chilena Michelle Bachelet, o Mercosul reagiu oportunamente para promover espaços de discussão perante a crise.

Bachelet ressaltou a necessidade de impulsionar as políticas de desenvolvimento social e combate à pobreza e de adotar medidas para conter o desemprego.

"Ao desabamento da bolsa, não devemos acrescentar o desabamento social", advertiu a presidente chilena, convencida de que o Mercosul coloca uma "carta de navegação central".

O presidente equatoriano, Rafael Correa, insistiu em que a resposta para a crise mundial atual é a integração, traduzida em "fatos concretos" e na construção de uma "arquitetura financeira regional".

Para Correa, os objetivos devem ser avançar na implementação do Banco do Sul, de um fundo de reservas para momentos de crise e de uma moeda própria para o comércio regional.


Lula se encontrou com Correa na Bahia / AP

O boliviano Evo Morales elogiou a decisão do Mercosul e da Venezuela de absorver as exportações bolivianas que deixaram de se beneficiar de preferências tarifárias dos Estados Unidos, e disse que medidas deste tipo impulsionam o comércio justo e permitem avançar para uma maior integração.

O vice-presidente colombiano, Francisco Santos, apostou no desenvolvimento da "megabiodiversidade" da região e na elaboração de agendas estratégicas para salvar as florestas e impulsionar um desenvolvimento sustentável baseado nesta riqueza.

"Neste tempo de crise, o olhar de longo prazo deve ser a economia do conhecimento e a inovação, com economias radicalmente diferentes à de agora", acrescentou.

Discurso de Lula

Os breves discursos dos líderes do Mercosul ocorrem depois da fala de Lula, que afirmou que as economias e democracias dos países do Mercosul são suficientemente fortes para enfrentar os efeitos da crise mundial.

"Nossa força para enfrentar a recessão global não está só na força de nossas economias, mas também no vigor de nossas democracias", disse Lula na sessão inaugural, à qual assistem vários convidados especiais, entre eles o presidente cubano, Raúl Castro, cuja presença o presidente brasileiro destacou no início da reunião.


Raúl Castro chega à Costa do Sauípe

O Brasil, que cederá hoje a presidência semestral do Mercosul, também convidou para a cúpula os governantes de Guiana, México, Panamá e Suriname.

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