Presidentes de RDC e Ruanda aceitam participar de cúpula de paz

Bruxelas, 1º nov (EFE).- Os presidentes da República Democrática do Congo (RDC), Joseph Kabila, e de Ruanda, Paul Kagame, estão dispostos a participar de uma cúpula internacional de paz promovida pela ONU para resolver o conflito no leste do antigo Zaire entre os rebeldes tutsis e o Governo.

EFE |

Assim afirmou hoje o comissário de Desenvolvimento da União Européia (UE), Louis Michel, ao chegar a Bruxelas após uma visita à região africana.

"Sugeri que o secretário-geral da ONU (Ban Ki-moon) convoque todos os líderes da região e todas as organizações regionais", explicou Michel aos jornalistas, e "os dois (Kabila e Kagame) me responderam que sim, sem a menor dúvida", destacou.

"Se Ban Ki-moon os convidar, eles irão", afirmou o comissário, segundo a imprensa belga.

O ministro de Assuntos Exteriores francês, Bernard Kouchner, cujo país preside a UE neste semestre, e o alto representante de Política Externa e Segurança Comum da UE, Javier Solana, também concordam com a realização de uma cúpula de paz, de acordo com Michel.

O comissário disse que a reunião deve acontecer em Nairóbi, com a presença dos líderes de RDC, Ruanda - que supostamente estaria apoiando os rebeldes tutsis no país vizinho -, Uganda e Burundi, assim como representantes da UE e dos Estados Unidos.

Também devem participar todas as organizações regionais, como a União Africana (UA), a Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC, em inglês), o Mercado Comum da África Oriental e Austral (Comesa, em inglês) e a Comunidade da África Oriental (EAC, em inglês).

Michel já batizou o evento de Nairóbi-2, em alusão ao encontro na capital queniana no qual autoridades de 11 países da região africana dos Grandes Lagos assinaram um pacto de não agressão, no qual também se comprometeram a não apoiar grupos rebeldes.

Segundo Michel, Kabila está "totalmente aberto" às negociações, assim como o rebelde Congresso Nacional para a Defesa do Povo (CNDP), do general Laurent Nkunda, cujas tropas se encontram às portas da cidade de Goma, na província de Kivu Norte, no leste da RDC.

Por sua vez, o presidente de Ruanda está disposto a contribuir "com a influência que ele pode ter (sobre o general Nkunda)", acrescentou Michel.

Segundo o comissário, entre os resultados da cúpula deve figurar o início de um sistema de vigilância internacional para garantir que os acordos sejam cumpridos. EFE epn/wr/sc

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