Presidentes da América Latina defendem a necessidade de uma maior integração

Juan David Leal Cancún (México), 16 abr (EFE).- Os chefes de Estado de sete países latino-americanos debateram hoje sobre os passos que devem ser dados pela região para cimentar uma década de crescimento promissor e concordaram na necessidade de uma maior integração regional.

EFE |

Durante a reunião sobre a América Latina realizada no Fórum Econômico Mundial, os presidentes do México, Felipe Calderón; da Colômbia, Álvaro Uribe, e da Costa Rica, Óscar Arias, compartilharam a opinião que a integração da região se vê ameaçada pelas "ideologias" e pelo "dogmatismo".

Calderón manifestou que a América Latina pode ser um continente equilibrado e "sem complexos", levando em conta os recursos naturais e humanos que possui.

No entanto, expressou que os países latino-americanos não sabem se respeitar e entre eles existe uma "grande dose de dogmatismo", o que qualificou como o "principal obstáculo" para a integração.

Isso se manifesta quando alguém julga "a partir de sua posição ideológica dogmática que os demais são os maus", disse o governante mexicano, para quem a região sofre do "maniqueísmo que divide as pessoas entre os bons e os maus".

A estes problemas se soma, segundo Calderón, "a intervenção nas políticas internas de outros países", o que segundo ele ocorre na região quando alguns Governos financiam "organizações com fachada civil ou filantrópica".

Para reforçar a integração, o líder mexicano propôs criar uma organização latino-americana de nações, tendo em vista que outros instrumentos, como o Grupo do Rio, "reúnem alguns países, mas não todos".

Neste sentido, se comprometeu a entregar, uma vez finalizado seu mandato à frente do Grupo do Rio, esse instrumento diplomático transformado em "uma organização de Estados latino-americanos que tenha um forte componente de coesão política e, se for possível, econômica".

Por sua vez, o presidente colombiano, Álvaro Uribe, sustentou que há "muitíssimos" projetos de integração na atualidade, mas o importante é "colocá-los em prática".

Além disso, argumentou que para acelerar a integração latino-americana é necessário "que se respeite a diversidade política dos países" e colocar um fim no que denominou de "alta dose de ideologismo".

Em relação a essa questão, destacou que "a divisão entre esquerda e direita é obsoleta" e que o importante no atual panorama internacional é a "segurança, o respeito às liberdades, a luta pela coesão social, a transparência e o respeito às instituições independentes".

Uribe enumerou os princípios que considera cruciais para o desenvolvimento dos países da América Latina: segurança a partir da democracia, confiança dos investidores e a coesão social nos países.

Por sua vez, o costarriquenho Óscar Arias afirmou que o populismo e a demagogia nos últimos anos "trouxe falhas" aos sistemas democráticos latino-americanos.

"Há regimes que transformaram a ideologia em demagogia e a demagogia em ideologia", opinou, antes de especificar que a democracia da região ainda é "frágil".

Para Arias, a região deve investir fundamentalmente em educação e infra-estrutura, assim como reduzir a despesa militar.

"Com exceção da Colômbia, não há razão alguma para que tenhamos no início do século XXI uma nova corrida armamentista, sobretudo no cone sul", apontou.

"É certamente uma monstruosidade que na América Latina se gaste atualmente US$ 36 bilhões em despesa militar ", considerou o líder centro-americano.

Horas antes, durante uma discussão convocada pelos governantes de Honduras, El Salvador, Trinidad e Tobago e Guatemala, o chefe de Estado salvadorenho, Elías Antonio Saca, ressaltou que na América Latina "há um risco muito perigoso" que se mostra com nacionalizações e expropriações "que geram instabilidade nas empresas".

Saca também insistiu na questão da integração como um ponto-chave e destacou que, em relação à América Central, é preciso entendê-la como um bloco que está colocando em prática "pouco a pouco" o modelo comunitário europeu.

O Fórum foi assistido por 544 participantes provenientes de 44 países. No próximo ano, o IV encontro latino-americano será realizado no Rio de Janeiro. EFE jd/fb

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