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Presidentes da Alba lançam moeda regional para enfrentar crise

Os presidentes da Alba (Alternativa Bolivariana para as Américas) firmaram um acordo nesta quinta-feira para a criação de uma moeda de compensação regional para o comércio, que pretende driblar as transações financeiras feitas em dólar e estimular as exportações entre os países. O Sucre (Sistema Único de Compensação Regional) pretende ser uma alternativa regional à crise econômica internacional.

BBC Brasil |

Durante a Cúpula Extraordinária da Alba, realizada em Cumaná, Estado de Sucre, norte da Venezuela, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, disse que a América Latina não pode esperar uma "fórmula mágica do Norte (Estados Unidos)" para solucionar a crise.

O Sucre "nos permitirá sair da ditadura do dólar que nos impuseram", disse Chávez, durante a reunião do bloco.O sistema, que poderá ser expandido aos demais países latino-americanos, será inicialmente um mecanismo virtual de comércio, podendo ser convertido em uma moeda física no futuro, segundo Chávez.

Além da Venezuela, firmaram o acordo os presidentes da Bolívia, Evo Morales; de Cuba, Raúl Castro; do Paraguai, Fernando Lugo; da Nicarágua, Daniel Ortega; de Honduras, Manuel Zelaya, e os premiês de Dominica, Roosevelt Skerrit, e de São Vicente e Granadinas, Ralph Gonsalves.Apesar de não pertencer à Alba, o Equador também participará do sistema regional.

Comércio
A implantação do Sucre funcionará com uma Câmara de Compensação de Pagamentos, uma unidade de conta comum e um Conselho Monetário, que estará encarregado de designar uma quantidade de "sucres", ainda indeterminada, aos países-membros.

Chávez anunciou que o sistema também contará com um Fundo de Reserva, que será destinado ao financiamento de projetos de produção para estimular as exportações entre os países.

O valor inicial que será injetado no Fundo de Reserva ainda está sendo negociado, informou à BBC Brasil um negociador venezuelano."Não nos faz falta o dinheiro gringo, nós temos como solucionar nossos problemas e sabemos como fazê-lo", afirmou o presidente venezuelano.

O sistema da moeda regional começará a ser implementado em "fase experimental" a partir do terceiro trimestre deste ano, e deverá entrar em vigor em janeiro de 2010."Ninguém escapa da crise"
Nesta quinta-feira, Chávez voltou a criticar a decisão do G20 de destinar US$1 trilhão ao Fundo Monetário Internacional como medida para conter a crise financeira internacional.

"Dar ao FMI a importância que se está dando agora, depois da Cúpula do G20, ao injetar milhões e milhões de dólares, é como pedir a um incendiário que apague um incêndio", afirmou.O presidente cubano, Raúl Castro, também criticou o G20, ao considerar que a solução adotada pelo grupo não resolve "a insustentabilidade do sistema capitalista".

"Essa é uma crise da qual ninguém escapa (...) não temos outra opção a não ser nos unirmos para enfrentá-la", afirmou Raúl Castro.

A idéia de criação da moeda regional surgiu em novembro do ano passado, quando os presidentes da Alba se reuniram em Caracas para analisar o impacto da crise financeira na região.

O Sucre leva o nome da antiga moeda do Equador, que foi substituída pelo dólar em 2002, e do prócer da independência da América do Sul hispânica, Antonio José de Sucre.

"Fim do bloqueio"
A Cúpula da Alba aconteceu um dia antes do início da 5 Cúpula das Américas, que começa nesta sexta-feira, em Trinidad e Tobago.

No primeiro encontro do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, com líderes da América Latina, os presidentes da Alba defenderão a inclusão de Cuba no sistema interamericano e o fim do bloqueio norte-americano à ilha.

"Se o Obama quer o apoio de todo mundo, terá que levantar o bloqueio à Cuba", afirmou Evo Morales.Chávez, por sua vez, antecipou que vetará a declaração final da Cúpula das Américas.

"O documento que pretendem que se aprove é uma retórica e uma falta de respeito ao momento que estamos vivendo", afirmou.

Leia também na BBC Brasil: Chávez diz que vetará declaração final da Cúpula das Américas

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