Previsão é que delegação formada por governantes de Benin, Cabo Verde e Serra Leoa retome diálogo com Laurent Gbagbo no dia 3

A delegação formada por três presidentes que visitou na terça-feira a Costa do Marfim para pedir a Laurent Gbagbo que deixe o poder e adverti-lo que poderiam utilizar a força para tirá-lo do Governo voltará a Abidjan em 3 de janeiro para tentar resolver a crise no país.

Após se reunir nesta quarta-feira com os governantes de Benin, Cabo Verde e Serra Leoa, que estiveram em Abidjan, o presidente nigeriano e titular de turno da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Cedeao), Goodluck Jonathan, confirmou que na segunda-feira eles voltarão à Costa do Marfim. "O diálogo está em andamento e é isso o que nos encorajou a voltar. Quando há uma disputa, é o diálogo que resolve os problemas", acrescentou o governante.

Missão de paz da ONU nas ruas de Abidjan, capital da Costa do Marfim
AP
Missão de paz da ONU nas ruas de Abidjan, capital da Costa do Marfim
Os detalhes sobre o encontro de Jonathan com Yayi Boni, presidente do Benin; Pedro Pires, de Cabo Verde, e Ernest Bai Koroma, de Serra Leoa, não foram divulgados, mas uma fonte da Cedeao disse à Agência Efe que uma negociação "está em andamento".

Os três governantes da África Ocidental também se reuniram em Abidjan com Ouattara e Choi Young-jin, chefe da missão da ONU na Costa do Marfim (Onuci).

Também nesta quarta-feira, o chancelar de Cabo Verde, Jorge Borges, disse que uma “intervenção militar" de países do Oeste da África na Costa do Marfim para forças a renúncia de Gbagbo está “descartada por enquanto”.

Ele acrescentou também que a visita na véspera a Abdjian de três presidentes africanos "permitiu estabelecer uma ponte para o diálogo entre as dois partes", a de Gbagbo e a de seu adversário Alassane Ouattara.

Missão de paz da ONU

Em meio à crise política que se instaurou no país, o chefe das operações da missão de paz da ONU na Costa do Marfim, Alain Leroy, acusou a imprensa estatal, controlada por Gbagbo, de "incitar ao ódio" contra os capacetes azuis.

"A população é manipulada contra a ONUCI (missão das Nações Unidas na Costa do Marfim) e, lamentavelmente, a propaganda da RTI (TV estatal) é em grande parte responsável", afirmou Leroy, que está no país.

Na terça-feira, um comboio da ONUCI foi atacado em Abidjan por uma "multidão" e um capacete azul ficou ferido por facadas no incidente.

Gbagbo acusou a ONU de se intrometer na política interna depois que a entidade mundial pediu que ele entregasse o poder ao seu rival. A ONU também desafiou o aviso do governo de Gbagbo para que saísse do país depois das polêmicas eleições. Em vez disso, a ONU adicionou seis meses à missão de seus 10 mil soldados no país.

A violência pós-eleitoral fez pelo menos 173 mortos de 16 a 21 de dezembro, segundo a ONU. O Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas aprovou na quinta-feira passada resolução denunciando as "atrocidades" cometidas após a eleição presidencial.

De acordo com estatísticas das Nações Unidas, ao menos 19.120 marfinenses fugiram para a vizinha Libéria, para escapar da violência no país.

*Com AFP e EFE

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.